
O panorama das tecnologias financeiras em África acaba de sofrer uma grande transformação com a aquisição da Mono pela Flutterwave, a maior empresa de fintech do continente. O negócio, realizado inteiramente através de troca de ações, avalia a startup nigeriana de open banking entre 25 e 40 milhões de dólares (aproximadamente entre 24 e 38 milhões de euros).
Segundo informações avançadas pelo TechCrunch, esta operação une duas das infraestruturas financeiras mais relevantes da região. Enquanto a Flutterwave gere uma das redes de pagamentos mais extensas de África, a Mono — frequentemente apelidada de "Plaid de África" — especializou-se na criação de APIs que permitem às empresas aceder a dados bancários, iniciar pagamentos e verificar a identidade dos clientes.
A "Plaid de África" e a revolução do Open Banking
Fundada em 2020, a Mono desempenha um papel crucial num mercado onde os gabinetes de crédito tradicionais são limitados. A empresa resolve a falta de acesso padronizado aos dados bancários, permitindo que os utilizadores partilhem as suas informações financeiras de forma segura. Isto possibilita que as instituições analisem rendimentos, padrões de despesa e capacidade de pagamento, facilitando a concessão de crédito.
O CEO da Mono, Abdulhamid Hassan, destaca que a infraestrutura da empresa já suporta mais de 8 milhões de ligações a contas bancárias, cobrindo cerca de 12% da população bancarizada da Nigéria. A startup processou milhões de pagamentos diretos e forneceu mais de 100 mil milhões de pontos de dados financeiros a empresas de crédito. Apesar da aquisição, a Mono continuará a operar como um produto independente.
Consolidação e uma oferta integrada
Para a Flutterwave, que já facilita pagamentos locais e transfronteiriços em mais de 30 países africanos, este negócio representa um aprofundamento da sua integração vertical. Para além do processamento de pagamentos, a gigante tecnológica passa agora a oferecer, numa única "pilha" tecnológica, serviços de onboarding, verificação de identidade, avaliação de risco baseada em dados e pagamentos bancários recorrentes.
Olugbenga 'GB' Agboola, CEO da Flutterwave, descreve a aquisição como uma aposta na próxima fase de crescimento do setor em África. "Pagamentos, dados e confiança não podem existir em silos", afirmou o responsável, sublinhando que o open banking fornece o "tecido conjuntivo" necessário para o ecossistema.
Este movimento reflete uma tendência de consolidação na infraestrutura financeira global, numa altura em que os investidores da Mono, incluindo a Tiger Global e a General Catalyst, conseguiram recuperar o seu capital, com alguns dos primeiros apoiantes a realizarem retornos de até 20 vezes o investimento inicial. A transação sinaliza um ponto de inflexão para as fintechs africanas, onde startups promissoras começam a encontrar maior valor na integração em plataformas de grande escala do que em tentar crescer isoladamente.










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