
A Sony prepara-se para aplicar uma mudança radical na sua estratégia de mercado que promete abalar a indústria dos videojogos. A gigante tecnológica anunciou que vai deixar de produzir jogos em suporte físico para as consolas PlayStation a partir de janeiro de 2028. Esta medida, focada na transição para um ecossistema exclusivamente digital, ameaça estrangular o mercado global de títulos usados — atualmente avaliado em cerca de 6,6 mil milhões de euros (7,2 mil milhões de dólares) — e já desencadeou fortes reações por parte de utilizadores em vários pontos do mundo.
O impacto no mercado de usados
A decisão surge numa altura em que o comércio de jogos em segunda mão demonstra uma vitalidade assinalável. De acordo com dados da consultora Dataintelo, este segmento movimentou milhares de milhões de euros em 2025, com os dispositivos de sala a representarem 42,3% desse volume de faturação. As estimativas apontam ainda que o setor continue a expandir-se a nível global, podendo alcançar os 12,7 mil milhões de euros (13,8 compreendidos em milhares de milhões de dólares) até ao ano de 2034.
Contudo, a imposição do formato puramente digital coloca em risco a sustentabilidade desta atividade. Especialistas alertam que a transição acelerada irá retirar poder de escolha aos consumidores e colocar em causa a sobrevivência do retalho especializado. Michael Pachter, diretor administrativo de planeamento estratégico da Wedbush Securities, sublinha a importância histórica deste modelo de negócio, lembrando que pelo menos um terço dos videojogos foram comercializados como usados, servindo frequentemente como moeda de troca para adquirir novos lançamentos. Na ótica do analista, sem o suporte físico, este ecossistema comercial está condenado ao fracasso.
Acessibilidade e liberdade de escolha em causa
Para além do valor económico para as lojas, o mercado de usados continua a ser alimentado por questões de acessibilidade financeira e preservação cultural. É frequente encontrar edições físicas a preços substancialmente mais baixos do que os valores tabelados nas plataformas digitais oficiais, como a PlayStation Store. Embora os discos atualmente em circulação continuem a funcionar, os futuros lançamentos da marca japonesa ficarão privados desta flexibilidade de revenda ou partilha.
A insatisfação dos consumidores prende-se sobretudo com a falta de alternativas, uma contestação que já levou legisladores mexicanos a avançar com processos contra a empresa. Kazunori Ito, diretor de pesquisa de ações da Morningstar, aponta que a grande discussão reside na liberdade de escolha. O especialista salienta que existe uma diferença clara entre os jogadores aceitarem a transição digital por reconhecerem vantagens nela ou verem essa mudança ser-lhes imposta antes do tempo.
Enquanto os rumores sobre uma futura PlayStation 6 desprovida de leitor de discos ganham força, o mercado adapta-se. Em sentido inverso ao da Sony, surgem relatos de que a concorrência direta estuda opções para permitir que os utilizadores convertam as suas coleções físicas antigas em licenças digitais, mitigando o impacto da inevitável modernização do setor.












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