
A transição para o mercado exclusivamente digital está a acelerar, e a decisão da Sony em terminar com o suporte a discos até 2028 levantou preocupações imediatas. De acordo com a análise publicada pelo TechPowerUp, a Fundação da História dos Videojogos (VGHF) veio a público alertar para as consequências irreversíveis que esta mudança trará à forma como consumimos e preservamos as nossas coleções.
Atualmente, o mercado digital já domina as vendas globais de forma inegável. Na PlayStation, as compras digitais representam entre 80 a 85% das receitas globais, enquanto na Xbox o valor chega aos 90%, e no PC toca na quase totalidade de 99%. A conveniência de não ter de trocar de disco venceu, mas o custo prático desta comodidade começa agora a ser debatido pelos especialistas.
O impacto no mercado de usados e direitos do consumidor
O desaparecimento das caixas nas prateleiras afeta diretamente o mercado de segunda mão. Em Portugal, onde a troca e venda de jogos usados em plataformas de classificados ou em lojas de retalho especializadas é uma prática comum para contornar os preços elevados dos lançamentos, o impacto será tremendo para as carteiras dos consumidores.
A VGHF sublinha que os jogadores vão perder o verdadeiro direito de propriedade sobre as obras. Ao comprar em formato digital, adquire-se apenas uma licença de acesso vinculada a uma plataforma externa. Se o serviço encerrar no futuro ou a empresa alterar os seus termos, o acesso aos videojogos pode desaparecer instantaneamente, deixando o utilizador sem alternativas e sem o produto que pagou.
A ilusão dos discos modernos e a preservação
Apesar das críticas ao modelo puramente digital, a fundação surpreende ao admitir que a perda do formato físico não é uma catástrofe total para a preservação histórica da tecnologia. Os suportes óticos sofrem de degradação natural, riscam-se e perdem-se ao longo do tempo, constituindo um meio finito que rapidamente se transforma em artigos de colecionismo difíceis de encontrar.
Mais importante ainda é a forma como a indústria opera há duas décadas. Os videojogos atuais já não são desenvolvidos a pensar na experiência isolada do disco. Assim que se insere um jogo novo na consola, o sistema exige quase sempre o descarregamento de uma atualização de dia um. Ao contrário do que acontecia nas gerações mais antigas, onde o código impresso no disco era a experiência definitiva e final, hoje o formato físico funciona muitas vezes apenas como uma simples chave de autenticação para descarregar a verdadeira versão do jogo através da internet.












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