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A Lenovo começou a comercializar o seu primeiro computador portátil equipado com um SSD de fabrico chinês da marca YMTC, especificamente no modelo ThinkBook 14 G9 IPL. Esta transição, que marca a entrada da maior fabricante de memória NAND da China no mercado internacional de equipamentos de consumo, surge como uma resposta direta à atual crise de fornecimento e aumento de preços na indústria tecnológica. A descoberta foi feita e detalhada numa análise recente publicada pelo Notebookcheck.

O impacto prático no desempenho

O equipamento analisado, focado num ambiente de produtividade e escritório, conta com um processador Intel Core Ultra 5 325 e um ecrã de 14 polegadas. No armazenamento, a Lenovo optou pelo SSD YMTC PC42Q de 512 GB, que recorre à interface PCIe 4.0. Apesar de utilizar uma norma recente, os testes revelam que o foco da marca não está em bater recordes de velocidade, mas sim em garantir a viabilidade económica da máquina, cujo preço ronda os 1100 euros no mercado europeu.

As velocidades registadas atingem os 3950 MB/s em leitura sequencial e 2514 MB/s em escrita. Na prática, para o consumidor português que utiliza o portátil para ofimática, navegação web ou videochamadas, o desempenho é perfeitamente adequado e equiparável a um SSD PCIe 3.0 de topo. Contudo, importa referir que a unidade apresenta algumas limitações no desempenho aleatório 4K e regista estrangulamento térmico sob cargas de trabalho mais pesadas, não sendo a escolha ideal para utilizadores que dependam de edições de vídeo intensivas ou transferências massivas de ficheiros regulares.

A reconfiguração da cadeia de fornecimento

Até ao momento, a fabricante recorria tradicionalmente a fornecedores de armazenamento consolidados no mercado, como a Samsung, Kioxia, Western Digital, SK hynix e Micron. A integração da Yangtze Memory Technologies (YMTC) demonstra a necessidade urgente das marcas em diversificar as suas fontes de componentes. Segundo os dados da Gartner referentes ao primeiro trimestre de 2026, o mercado de computadores registou um crescimento inflacionado, motivado sobretudo pela acumulação de inventário por parte das marcas, numa tentativa de antecipação à subida acentuada dos preços da memória DRAM e NAND no segundo trimestre.

A pressão exercida pela construção de novos centros de dados vocacionados para a inteligência artificial inflacionou o mercado global de memórias. Sendo a Lenovo a líder mundial em envios de computadores, com uma quota de 26,5% no arranque de 2026, a empresa encontrou na YMTC e na sua homóloga CXMT alternativas viáveis para manter as linhas de produção ativas sem sacrificar totalmente as margens de custo para o consumidor final. Esta estratégia reflete um movimento mais abrangente na indústria atual, existindo indicações de que outras gigantes como a Dell, HP, ASUS e até a Apple procuram agora explorar o acesso a memórias de fabrico chinês para contornar a escassez global.

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