
Ao procurares melhorar a rede sem fios de tua casa, certamente já te deparaste com a promessa do Wi-Fi 7. No entanto, por trás das velocidades estonteantes e da latência ultrabaixa anunciada pelas marcas, esconde-se uma realidade de certificações dúbias, falhas na implementação de funcionalidades cruciais e até bloqueios governamentais que afetam o mercado global de equipamentos.
O que significa realmente a nova norma sem fios
O Wi-Fi 7 é o nome comum para a norma de redes sem fios IEEE 802.11be. Esta geração traz melhorias significativas em relação ao Wi-Fi 6 e Wi-Fi 6E, começando pela introdução de canais com 320 MHz de largura de banda, o dobro do disponível na geração anterior. Isto permite lidar com planos de internet multi-gigabit, acelerar transferências locais de ficheiros e evitar o congestionamento em casas inteligentes. A norma introduz também o 4K-QAM, que codifica 12 bits de dados por símbolo em vez de 10, melhorando as taxas de pico de transferência.
Contudo, a grande revolução teórica é a operação multilink, frequentemente designada por MLO. Em vez de tratar as bandas de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz como ligações separadas e exclusivas, o MLO permite que o equipamento utilize todas em simultâneo. O tráfego é assim distribuído de forma dinâmica com base na carga, no espetro disponível e na interferência, o que deveria traduzir-se numa latência drasticamente inferior para atividades exigentes como os videojogos. O MLO é um requisito obrigatório para que as marcas recebam o selo de certificação oficial da Wi-Fi Alliance.
O truque do hífen e a ausência de MLO
Presta muita atenção quando procurares novos equipamentos, pois a diferença entre a grafia com e sem hífen não é um mero detalhe estético. A Wi-Fi Alliance detém o registo legal da marca com o hífen. Quando uma fabricante rotula um produto apenas com a designação sem o traço, contorna tecnicamente os requisitos da certificação oficial. Isto significa que existem muitos equipamentos no mercado a cobrar um valor premium por esta nova geração, mas que omitem totalmente a funcionalidade MLO.
Mesmo nos equipamentos certificados, o cenário não é perfeito. Testes exaustivos realizados pela RTINGS em fevereiro de 2026 a vinte e cinco equipamentos revelaram que o verdadeiro MLO simultâneo não está genuinamente disponível na maioria da oferta. A verdadeira transmissão simultânea exige rádios independentes perfeitamente sincronizados. O que grande parte destes aparelhos faz é alternar as bandas que utiliza, o que acaba por causar flutuações indesejadas nas velocidades de internet. A conclusão dos especialistas é que, perante promessas de marketing que o hardware ainda não consegue cumprir na perfeição, a diferença de preço para as gerações anteriores não se justifica de momento












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