
O dia 24 de julho de 2006 ficou marcado na história da informática como a data em que a fabricante de processadores assinou o acordo de compra da produtora de placas gráficas ATI Technologies. Segundo avançou o Tom's Hardware, a aquisição, avaliada na altura em cerca de 4.968 milhões de euros (5.400 milhões de dólares), definiu o rumo da AMD nas duas décadas seguintes, permitindo-lhe entrar num segmento que é hoje essencial para o seu modelo de negócio.
A entrada original da marca no mercado das arquiteturas RISC86 começou em 1996 com o processador AMD K5, que procurou rivalizar diretamente com a linha Pentium da Intel. Apesar das ambições, problemas de desenvolvimento e um lançamento tardio prejudicaram o impacto no mercado. O investimento na ATI surgiu anos depois como uma manobra arriscada para revolucionar a indústria e diversificar o portefólio da empresa.
Do abismo financeiro ao sucesso com os processadores Ryzen
A integração das duas empresas demorou a dar frutos sustentáveis e a sobrevivência da fabricante esteve seriamente ameaçada. Em 2015, as ações da empresa bateram no fundo, transacionadas a meros 1,84 € (2 dólares). A grande viragem e o ressurgimento no mercado aconteceram apenas em 2016 e 2017, impulsionados pelo lançamento da arquitetura de processadores Ryzen.
Esta forte aposta devolveu a confiança aos investidores e revitalizou as contas da empresa, com as ações a valerem hoje mais de 478,40 € (520 dólares) — um contraste brutal com o cenário de há uma década.
Vinte anos de altos e baixos no mercado das placas gráficas
O percurso gráfico da marca foi pautado por gerações com resultados muito distintos junto dos consumidores. A série HD 2000 sofreu com críticas relativas a temperaturas e consumos elevados, perdendo terreno claro para as GeForce GTX 8800 da NVIDIA. A resposta chegou gradualmente com as HD 3000, que corrigiram falhas passadas e introduziram o suporte para DirectX 10.1, consolidando-se depois nas muito populares HD 4000. Nesta linha, os modelos HD 4870 e HD 4890 ofereciam um desempenho capaz de bater a concorrência a um preço bastante inferior.
O sucesso da fabricante continuou em 2009 com a chegada das HD 5000 e o suporte a DirectX 11. Com o avançar dos anos, a marca focou-se na eficiência energética com as HD 6000, onde se destacou a extravagante HD 6990 que combinava duas unidades de processamento numa só placa, seguindo-se as bem-sucedidas HD 7000.
Posteriormente, as linhas R9 200 ofereceram desempenho de topo a preço de gama média, mas enfrentaram críticas relativas ao ruído e às temperaturas elevadas, problemas que persistiram nas R9 300. O regresso a uma melhor relação qualidade-preço aconteceu com as RX 400 e RX 500, ainda que a sua disponibilidade no mercado tenha sofrido com os constrangimentos globais da pandemia.
A introdução da arquitetura RDNA (RX 5000) alcançou um sucesso decente, mas foram as RX 6000 com RDNA 2 que geraram maior impacto entre os jogadores. Após a passagem das RX 7000 com RDNA 3, o mercado atual da fabricante apoia-se nas potentes placas gráficas RX 9000, onde o modelo RX 9070 XT se destaca como o formato mais popular da empresa. Apesar de toda a inovação destas duas décadas, a concorrência gráfica continua feroz, com a NVIDIA a dominar o setor com cerca de 90% da quota de mercado.












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