
A tecnologia FidelityFX Super Resolution 4 (FSR 4) foi oficialmente apresentada pela AMD em setembro de 2024. Quase dois anos após o anúncio original, a fabricante confirmou que a tecnologia de reescalado vai finalmente marcar presença nas placas gráficas das linhas Radeon RX 7000 e RX 6000. Esta decisão surge após um período de forte contestação por parte dos jogadores, uma vez que o FSR 4 tinha sido inicialmente revelado como um exclusivo da arquitetura RDNA 4 (Radeon RX 9000).
O anúncio surge também duas semanas após o surgimento de rumores que davam conta de uma alegada pressão da Valve sobre a AMD para alargar o suporte a arquiteturas mais antigas. Para a Valve, o acesso a esta tecnologia revela-se fundamental para otimizar a qualidade de imagem e o desempenho de uma futura Steam Machine equipada com a arquitetura RDNA 3.5, que até ao momento era considerada incompatível com a nova versão.
Suporte chega no verão para a linha RX 7000
A confirmação partiu de Jack Huynh, responsável máximo pela divisão de Computing and Graphics da AMD, que assegurou a expansão da tecnologia para o hardware de gerações anteriores. As primeiras a beneficiar da medida serão as placas Radeon RX 7000 (RDNA 3), com a atualização agendada para julho de 2026. Para o início de 2027, está planeada a chegada da tecnologia às placas baseadas em RDNA 2, abrangendo a linha Radeon RX 6000 e outros dispositivos equipados com esta arquitetura.
O novo FSR 4.1 integra a estratégia "Redstone" da AMD, uma família de soluções baseadas em aprendizagem automática (machine learning) que engloba o FSR Upscaling, FSR Frame Generation, FSR Ray Regeneration e FSR Radiance Caching. A fabricante esclareceu ainda que a nomenclatura FSR 4 transita agora para FSR Upscaling, com o objetivo de distinguir o processo de reescalado das restantes ferramentas do pacote.
O principal desafio técnico centrou-se na adaptação do modelo à arquitetura RDNA 3. Embora conte com aceleradores de inteligência artificial, esta geração não possui a mesma rota de execução otimizada para FP8 presente no RDNA 4. Enquanto o formato FP8 foi desenhado para acelerar nativamente os modelos de machine learning, a implementação no RDNA 3 obrigou a AMD a otimizar e validar o modelo através de processamento baseado em inteiros, garantindo a qualidade visual sem prejudicar o tempo de resposta.
Mais de 300 títulos compatíveis no lançamento
Numa fase em que o mercado global de hardware atravessa um período de contenção e o ritmo de atualização dos computadores abrandou, as tecnologias de reescalado e geração de fotogramas assumem um papel central para prolongar a longevidade dos equipamentos. A título de exemplo, um sistema capaz de executar o Cyberpunk 2077 a 4K a 30 fotogramas por segundo poderá, com a ativação do FSR Upscaling 4.1 e da geração de fotogramas, duplicar o desempenho para os 60 fps.
A fuga acidental de código ocorrida meses atrás já tinha deixado indicações de que a AMD estaria a desenvolver uma variante baseada em INT8, ideal para o processamento em gráficas mais antigas. Com a confirmação oficial da retrocompatibilidade, os utilizadores ganham acesso a melhorias na nitidez, maior estabilidade temporal e uma redução de artefactos visuais em cenas de movimento rápido, com otimizações dedicadas ao consumo de memória.
A introdução no RDNA 3 vai garantir o acesso imediato ao FSR Upscaling 4.1 em mais de 300 videojogos, incluindo títulos de peso como Cyberpunk 2077, Battlefield 6 e Assassin’s Creed Shadows. A lista de compatibilidade abrange jogos com integração nativa e títulos que poderão ser atualizados via software da AMD, desde que já suportem o FSR 3.1 ou superior em DirectX 12.
O alargamento ao RDNA 2 em 2027 afigura-se como o passo mais exigente para os engenheiros da marca, uma vez que a linha RX 6000 chegou ao mercado antes da introdução de aceleradores dedicados para IA. Ainda assim, a medida promete ter um impacto profundo no ecossistema, beneficiando não apenas os computadores de secretária, mas também o mercado portátil, onde se inclui a atual Steam Deck. Em termos estratégicos, a decisão devolve à AMD o argumento da ampla compatibilidade face ao DLSS da NVIDIA, democratizando o acesso às ferramentas modernas de reescalado.












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