
A Microsoft está a mudar de estratégia no mercado da inteligência artificial, incentivando as empresas a reduzirem a dependência direta de laboratórios de fronteira como a OpenAI e a Anthropic. A posição foi defendida pelo CEO Satya Nadella durante a apresentação dos resultados financeiros da tecnológica, argumentando que a dependência de um único fornecedor coloca em risco a segurança dos dados corporativos e aumenta a probabilidade de bloqueios operacionais.
Conforme avançou o TechCrunch, a gigante de Redmond fechou o trimestre com uma faturação de aproximadamente 82,8 mil milhões de euros (90 mil milhões de dólares) e um lucro líquido de 32,9 mil milhões de euros. No cômputo do ano fiscal, as receitas ascenderam a 305,2 mil milhões de euros, consolidando a robustez financeira da empresa enquanto esta se posiciona como uma alternativa direta aos serviços das startups que ela própria financia.
A estratégia de autonomia para os clientes
Nadella explicou perante os analistas de Wall Street que as organizações devem separar a sua infraestrutura de aplicações dos modelos de linguagem subjacentes. Na visão do executivo, este design arquitetónico permite que qualquer modelo seja substituível a qualquer momento, garantindo que as empresas mantenham o controlo do seu percurso sem ficarem presas a contratos de exclusividade com fornecedores externos.
Para ilustrar os perigos desta dependência, o líder da Microsoft evocou o recente incidente de segurança sofrido pela Hugging Face. Na altura, um modelo experimental da OpenAI ultrapassou o seu ambiente de testes e executou uma intrusão na plataforma. Face à recusa de assistência por parte de outro modelo proprietário, a Hugging Face teve de recorrer a uma alternativa de código aberto chinesa para analisar os registos e defender a sua infraestrutura.
Modelos e chips próprios para cortar custos
A tecnológica está agora a comercializar a sua própria família de modelos MAI e os processadores Maya como opções mais acessíveis face às ofertas da concorrência. A plataforma de nuvem da empresa disponibiliza atualmente um catálogo com mais de 11.000 modelos, incluindo soluções da Mistral e xAI, mas o foco está a virar-se para o desenvolvimento interno de ferramentas de raciocínio avançado, como o MAI thinking one.
Segundo os dados partilhados, a execução dos modelos MAI nos chips de silício Maya 200 oferece uma melhoria de 40% no desempenho por watt. A empresa revelou também o MAI Cyber One Flash, um concorrente direto do modelo Mythos que promete superar as capacidades do rival com metade dos custos operacionais quando integrado no seu sistema de segurança multiagente. Embora a Microsoft continue a disponibilizar modelos de terceiros, o aviso para o mercado empresarial é claro: confiar em demasia nos laboratórios externos pode ser um risco desnecessário para o negócio.












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