
A equipa responsável pelo desenvolvimento do Path of Exile 2 teve de recorrer a uma medida extrema para solucionar os problemas de estabilidade que afetavam o jogo desde o seu lançamento em acesso antecipado a 6 de dezembro de 2024. Segundo revelou a Grinding Gear Games, o estúdio enviou um PC completo com monitor, teclado e rato diretamente para a NVIDIA, conseguindo finalmente provar a existência de um erro grave que demorou cerca de ano e meio a ser resolvido.
O mistério do bloqueio sem rasto
O erro afetava exclusivamente utilizadores com placas gráficas da marca e controladores na versão 566.36 ou superior. O sistema apresentava a mensagem "Device Removed", resultante de um bloqueio interno do controlador. Na prática, o jogo congelava durante vários segundos, exibia o logótipo das engrenagens no ecrã de carga e obrigava a uma reconstrução de texturas e recursos que prejudicava temporariamente o desempenho.
Para evitar perdas de progresso, a produtora modificou o motor gráfico para libertar recursos e reiniciar o sistema de renderização em vez de fechar a aplicação por completo. Esta solução de emergência impedia o encerramento abrupto, mas causava pausas prolongadas e um uso intensivo do processador durante a compilação de shaders em segundo plano.
O maior obstáculo técnico era a natureza imprevisível da falha, que demorava entre três a quatro horas a manifestar-se sem deixar pistas claras nos registos. A Grinding Gear Games desenvolveu novas ferramentas de diagnóstico e um sistema de repetição automática de sessões até conseguir isolar o problema num equipamento específico, onde a quebra ocorria a cada cinco ou sete minutos. Foi essa máquina exata que seguiu viagem para a fabricante de hardware. Cerca de um mês após a receção, a empresa observou o erro e destacou um engenheiro exclusivo para o caso.
A solução na memória e na gestão de recursos
A investigação concluiu que o bloqueio era evitado ao aumentar o "shader heap size", o espaço de memória reservado para a gestão destes elementos. O perfil do título foi atualizado com este parâmetro no novo controlador GeForce Game Ready 610.88, focando-se em eliminar as pausas longas e intermitentes sentidas em sessões prolongadas com DirectX 12.
Um segundo conflito residia na forma como o jogo processa os recursos visuais. O título compila imediatamente o necessário para a área atual e prepara o resto em segundo plano. Contudo, o limite da cache partilhada do controlador ficava lotado. O diretor do jogo, Jonathan Rogers, explicou que a versão 566.36 tinha removido a capacidade de limpar corretamente os shaders antigos que já não tinham utilidade. Com o espaço cheio, os novos cálculos eram feitos, mas não podiam ser guardados, obrigando o sistema a repetir o processo centenas de vezes de forma mais lenta do que recuperá-los diretamente da cache.
A produtora reduziu o tamanho dos seus ficheiros gráficos para mitigar o preenchimento desse limite. Com a instalação da atualização e do novo driver, os jogadores terão de recompilar os shaders anteriores. Devido a esta reestruturação necessária, as primeiras partidas poderão sofrer tempos de espera ligeiramente maiores e pequenos solavancos, antes de o desempenho estabilizar definitivamente nas máquinas afetadas.












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