
O aperto no fornecimento de chips de memória está a forçar as maiores fabricantes de computadores a procurar alternativas urgentes. Segundo avançou o Nikkei Asia, marcas como a HP, ASUS e Acer já começaram a equipar alguns dos seus portáteis comerciais com módulos de DRAM produzidos pela chinesa CXMT.
O mercado tradicional era até agora dominado de forma quase absoluta por três gigantes da indústria. Contudo, a alocação de grande parte da capacidade produtiva para servidores de inteligência artificial deixou o segmento de portáteis económicos sob forte pressão. Com a Samsung, a SK hynix e a Micron focadas em produtos de maior margem de lucro, a indústria de computadores necessitava de soluções viáveis para manter as linhas de montagem em funcionamento.
Expansão silenciosa no mercado global
Durante o primeiro trimestre de 2026, o trio de líderes controlava 89,7 % das vendas globais de DRAM. A CXMT aproveitou a lacuna de oferta para escalar até à quarta posição, arrecadando uma quota de 7,6 % das receitas mundiais. A escolha da fabricante asiática não se deve a potenciais poupanças financeiras, uma vez que a empresa está a cobrar valores equiparáveis aos praticados pelos concorrentes, rentabilizando a urgência dos parceiros comerciais.
Enquanto a HP, ASUS e Acer avançaram com a integração nos seus equipamentos, a Dell mantém-se numa fase de avaliação e ainda não adotou esta tecnologia. A capacidade de fornecimento imediato tem limites técnicos, dado que grande parte do silício gerado pela CXMT continua reservado para preencher as encomendas de marcas domésticas, como a Huawei.
Implicações para os consumidores fora dos EUA
As sanções e restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos à importação de tecnologia da China ditam que os primeiros portáteis com estas memórias sejam distribuídos noutras regiões. A exclusão do espaço norte-americano significa que o mercado europeu, e consequentemente os consumidores em Portugal, assumem-se como o destino prático destas unidades focadas nas gamas mais acessíveis.
A estratégia das marcas ocidentais para contornar a crise na oferta consolidou um novo fornecedor à escala mundial. A decisão de limitar o volume da memória RAM convencional por parte dos produtores históricos viabilizou a entrada de um quarto interveniente crítico nos portáteis que chegam às mãos do consumidor.












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