
O movimento de preservação digital Stop Killing Games anunciou o seu apoio formal à ação coletiva Fair PlayStation, que acusa a fabricante nipónica de impor um monopólio abusivo nos preços dos videojogos digitais. Através de uma mensagem publicada na rede social X, a organização declarou ser "hora de processar a Sony", apelando à mobilização dos utilizadores para reforçarem a queixa judicial iniciada em 2025.
A fatura do ecossistema fechado
A disputa legal, impulsionada nos Países Baixos, concentra-se naquilo a que os promotores designam por "Sony Tax". Conforme os dados revelados na página oficial da Stichting Massaschade & Consument, a empresa aplica uma comissão de 30% sobre todas as vendas de estúdios terceiros na sua loja virtual. A ausência de plataformas concorrentes neste ecossistema faz com que os jogadores neerlandeses paguem, em média, mais 47% pelas versões digitais face aos equivalentes físicos nas lojas de retalho.
As estimativas financeiras elaboradas pelo Berkeley Research Group sustentam a gravidade da acusação, calculando prejuízos acumulados na ordem dos 400 milhões de euros. A queixa tem o potencial de abranger 1,7 milhões de utilizadores da PlayStation residentes no país, bastando para tal possuir uma conta ativa na rede e ter efetuado pelo menos uma compra digital numa consola PS4 ou PS5 desde 29 de novembro de 2013. O objetivo da fundação passa não só por obter uma compensação financeira, mas por forçar a abertura do sistema a lojas de distribuição independentes.
A batalha pela preservação do formato digital
O envolvimento do Stop Killing Games e da iniciativa DoesItPlay? eleva o processo de uma simples questão de regulação de concorrência para o debate sobre os direitos dos consumidores na transição digital. A eliminação progressiva do formato físico agrava a vulnerabilidade dos jogadores, que perdem subitamente o acesso ao mercado de segunda mão e à capacidade de emprestar títulos.
Num mercado totalmente desprovido de suportes físicos independentes, o utilizador adquire apenas uma licença de acesso temporária. Esta licença fica dependente dos servidores da empresa responsável, transformando um bem de consumo numa concessão revogável.
O processo prossegue a sua tramitação na justiça neerlandesa. Após a primeira sessão preliminar realizada no tribunal de Utrecht a 29 de junho de 2026, as duas partes envolvidas dispõem agora até ao dia 21 de outubro de 2026 para apresentarem as suas observações complementares, aguardando-se depois uma resolução interlocutória do tribunal.












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