
A iniciativa Stop Killing Games sofreu um forte revés no seu percurso legislativo nos Estados Unidos. O movimento, que procura obrigar as editoras a manterem os videojogos funcionais após o encerramento dos servidores oficiais, viu a sua proposta ser travada no Senado, onde o recurso a servidores privados foi equiparado a uma atividade de pirataria ilegal.
De acordo com a informação avançada pelo portal TechSpot, este bloqueio afeta diretamente a campanha que ganhou força após a desativação do título The Crew pela Ubisoft. O objetivo principal era evitar que os consumidores perdessem o acesso definitivo a produtos pelas quais pagaram.
A meio de 2025, os organizadores já tinham angariado mais de um milhão de assinaturas globais. O plano passava por uma investida dupla: enquanto uma equipa avançava no mercado norte-americano, outra submetia o projeto ao Parlamento Europeu. A União Europeia rejeitou a proposta logo à partida, classificando-a como desproporcionada, o que deixou o foco da batalha legal centrado no continente americano.
Na Califórnia, a Assembleia Estatal chegou a aprovar a proposta AB 1921, conhecida como Protect Our Games Act. Este documento estipulava que os videojogos digitais lançados a partir de 2028 teriam de incluir alternativas de preservação, como o suporte para servidores geridos pela comunidade. Exigia também um aviso prévio de 60 dias antes do encerramento de qualquer serviço e, caso a transição offline fosse impossível, a devolução do dinheiro aos clientes. A intervenção do Senado norte-americano deitou agora por terra esta aprovação, bloqueando a medida para a atual legislatura.
Oposição da indústria e o peso das licenças digitais
O principal obstáculo ao avanço da Stop Killing Games foi a Entertainment Software Association (ESA), a organização que representa os maiores estúdios de videojogos nos Estados Unidos. A entidade argumenta que a exigência de infraestruturas privadas viola os direitos das empresas e transforma os jogadores em infratores.
A associação recorda que os consumidores adquirem uma licença de utilização e não a propriedade perpétua do código. Ao iniciarem um título online, os utilizadores aceitam um contrato de termos de serviço que reserva à editora o direito exclusivo de encerrar os servidores a qualquer momento. Facultar as ferramentas para que o público continue a alojar o jogo contorna este acordo comercial.
Para os estúdios, a implementação obrigatória destas salvaguardas traduzir-se-ia num aumento considerável dos custos de produção. A ESA alertou o Senado para os problemas técnicos que a arquitetura offline forçada traria aos ciclos de desenvolvimento, avisando que a medida iria atrasar o lançamento de futuros videojogos que não foram desenhados com essa exigência em mente.
O futuro incerto da preservação digital
Os promotores do Stop Killing Games já responderam às acusações, esclarecendo que a intenção nunca foi obrigar as empresas a cederem tecnologia de servidores, mas sim garantir a existência de um modo offline que mantenha a obra acessível.
Para os jogadores portugueses e europeus, este bloqueio nos Estados Unidos agrava um cenário onde a preservação digital fica totalmente dependente da boa vontade das marcas. Com a recusa prévia da União Europeia, o fecho repentino de servidores continuará a ditar o fim definitivo de várias bibliotecas digitais adquiridas legalmente.
Os responsáveis pelo movimento recusam baixar os braços face à derrota no Senado. A equipa prepara-se agora para reorganizar a iniciativa, angariar novo financiamento e submeter propostas reformuladas nas próximas legislaturas, numa tentativa de mudar as regras de preservação no mercado do software de entretenimento.












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