
O debate sobre a quantidade mínima de memória para um computador moderno continua a dividir opiniões em 2026. Embora a Microsoft garanta que 8 GB de RAM são perfeitamente adequados para correr o Windows 11, testes práticos partilhados recentemente na internet pintam um cenário bem diferente. Num sistema operativo cada vez mais exigente, esta configuração revela-se um estrangulamento notório até para quem apenas pretende navegar na web e responder a mensagens.
O limite chega ao quarto separador
Para simular as condições de um computador de gama de entrada sugerido pela fabricante — como as versões base do portátil Surface —, o teste foi realizado numa plataforma AM4 modesta, equipada com um processador Ryzen 5 5600, uma placa gráfica RX 5600 XT e um único módulo de 8 GB de memória DDR4 retirado de um kit de 16 GB. O arranque do sistema através de um SSD decorreu sem sobressaltos, mas o Gestor de Tarefas mostrou de imediato a realidade do software atual: metade da memória disponível estava logo ocupada por processos nativos da Microsoft.
Num ambiente de produtividade diária, executando simultaneamente o Slack, o Spotify e três separadores abertos no Chrome, o equipamento aguentou o impacto inicial. A utilização da RAM estabilizou nos 7,4 GB face aos 7,9 GB utilizáveis, deixando quase nenhuma margem de manobra livre. O colapso aconteceu ao tentar abrir um 4º separador para aceder ao Gmail. Nessa altura, o cursor do rato começou a registar atrasos severos, demorando vários segundos apenas para alcançar e fechar a janela.
O estrangulamento obriga a um rigoroso controlo de aplicações. A própria funcionalidade nativa de Meteorologia pode consumir cerca de 1,2 GB de memória, o que dita a paralisação completa da máquina se o sistema não for otimizado pelo utilizador.
Surpresa no gaming e estratégias de sobrevivência
De forma inesperada, o desempenho prático em videojogos com exigências mais baixas superou as expectativas. Num teste com o Rainbow Six Siege, e após fechar rigorosamente todos os processos de terceiros em segundo plano, a fluidez manteve-se intacta. O título multijogador foi limitado a 120 FPS e as quebras marginais de 1 % registaram valores de 100 FPS, garantindo uma jogabilidade sólida e livre de soluços.
Para os utilizadores portugueses que enfrentam a subida acentuada do custo dos componentes e não podem investir numa expansão de memória a curto prazo, existem pequenas alterações vitais. Trocar navegadores pesados por alternativas eficientes como o Microsoft Edge ou o Brave devolve alguma agilidade à máquina. Desativar completamente o assistente Copilot, remover os widgets visuais e substituir a pesquisa do Windows por um programa ultraleve como o Everything são passos críticos para libertar centenas de megabytes.
Embora 8 GB mantenham a sua validade num sistema MacOS integrado num MacBook Neo ou em distribuições Linux otimizadas, optar por esta capacidade de fábrica num computador Windows 11 atual representa um erro estratégico. O elevado consumo dos serviços web embutidos no sistema significa que qualquer poupança feita na compra da máquina será rapidamente anulada pela frustração no uso diário.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!