
A empresa portuguesa CyberX foi selecionada para integrar um consórcio europeu com a missão de reforçar a cibersegurança da plataforma de saúde digital IBIONS360, desenvolvida para apoiar doentes oncológicos. Aprovada na terceira ronda da iniciativa CYberSynchrony, a colaboração representa um apoio de 195 mil euros, financiado diretamente pelo programa Europa Digital da União Europeia.
Simulações de ataque e prevenção na saúde digital
Durante os próximos oito meses, a especialista nacional em hacking ético vai conduzir uma bateria de testes contra a infraestrutura da spin-off da Universidade de Valência, a IBIONS. A operação centra-se na execução de simulações de ciberataques com o fim de expor potenciais vulnerabilidades na IBIONS360. Este sistema médico cruza telemedicina, conhecimento científico e IA para auxiliar na definição de protocolos médico-nutricionais ajustados a cada paciente com cancro.
A estratégia de mitigação de risco abrange igualmente o fator humano, frequentemente considerado o elo crítico na blindagem de organizações de saúde. A CyberX tem planeada uma campanha de phishing direcionada aos colaboradores da parceira espanhola. O objetivo deste exercício simulado é medir a capacidade de deteção das equipas perante este vetor de ameaça, corrigir comportamentos de risco e orientar futuras formações organizacionais.
Expansão europeia e proteção de informação clínica
A necessidade de blindar a plataforma ganha relevância adicional numa fase em que a empresa prepara a introdução da sua tecnologia em diferentes hospitais do continente. O primeiro exercício prático de simulação decorre no Hospital Universitário Miguel Servet, em Saragoça, onde já avançaram ensaios clínicos com doentes de cancro da próstata. Numa altura em que a partilha transfronteiriça de registos médicos exige protocolos rígidos, as defesas contra o roubo de dados assumem-se como o principal critério de aprovação para a entrada em novos contextos clínicos.
A ferramenta tecnológica apoia-se no ONCONUT, um questionário licenciado pela instituição universitária valenciana, que avalia padrões alimentares e regista a adesão do paciente aos tratamentos nutricionais indicados.
Para o CEO da CyberX, a natureza da informação exige uma postura inegociável na proteção tecnológica. "A saúde digital trabalha com alguns dos dados mais sensíveis que existem. Neste setor, a cibersegurança não pode surgir apenas como resposta a um incidente: tem de ser incorporada desde a conceção das plataformas e testada em condições próximas das ameaças reais. Este projeto permite-nos aplicar uma abordagem ofensiva e preventiva para encontrar vulnerabilidades antes que possam ser exploradas", explicou David Silva. O projeto marca mais um passo na internacionalização da tecnológica portuguesa, que já atua na proteção de soluções em setores críticos no Médio Oriente.












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