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OpenAI

A OpenAI está a impedir que investigadores de cibersegurança residentes em 44 países tenham acesso às suas ferramentas avançadas de defesa digital, afetando uma população combinada de cerca de 650 milhões de pessoas. De acordo com informações avançadas pelo TechCrunch, a restrição atinge regiões onde o ChatGPT se encontra oficialmente disponível, deixando especialistas legítimos sem autorização para utilizar o programa Trusted Access for Cyber (TAC).

Revogação de acessos e falhas na verificação

O problema foi identificado pelo investigador de cibersegurança George Lubaretsi, que viu a sua conta no programa TAC ser revogada após a empresa implementar novos requisitos de verificação por volta de 19 de agosto. Na altura, a tecnológica alegou a ocorrência de um problema técnico que obrigava determinados utilizadores a repetir o processo de confirmação de identidade.

Apesar de ter um documento de identificação da Geórgia anteriormente aprovado, Lubaretsi tentou concluir a verificação facial e o envio do documento através da plataforma Persona por oito vezes consecutivas, recebendo sempre uma mensagem de recusa. Pouco tempo depois, o sistema passou a indicar que não era possível verificar identidades emitidas naquele país. O caso não é isolado, uma vez que outros cinco investigadores sediados fora dos Estados Unidos e da Europa confirmaram ter ficado sem acesso à plataforma.

Segundo a secção de perguntas frequentes da empresa, a equipa de suporte não tem permissão para alterar manualmente os resultados da verificação nem para fornecer detalhes adicionais sobre as recusas, não existindo também mecanismo de recurso.

Restrições baseadas em listas de exportação antigas

Após testar 250 opções de países no sistema de verificação, Lubaretsi apurou que 73 nações estão impedidas de aceitar documentos governamentais para a validação de cibersegurança. Deste grupo, 44 mercados dispõem de acesso oficial ao serviço, incluindo países como Geórgia, Arménia, Azerbaijão, Cazaquistão, Moldávia, Vietname, Camboja, Mongólia, Aruba, Afeganistão e Cidade do Vaticano. Países como a China e a Rússia também figuram na lista de bloqueios, embora o serviço não funcione oficialmente nesses territórios.

A análise revelou que o bloqueio coincide inteiramente com os 35 destinos integrados nos grupos de países D:1 e D:5 das regras de controlo de exportação dos Estados Unidos. O grupo D:1 integra nações sob restrições por motivos de segurança nacional, enquanto o grupo D:5 abrange territórios sujeitos a embargos de armas. De acordo com o especialista, o enquadramento aplica normas antigas herdadas da era soviética a países que mudaram significativamente nas últimas décadas.

A medida gera críticas entre a comunidade de segurança, pois limita a capacidade de resposta dos defensores cibernéticos sem travar agentes maliciosos, que recorrem habitualmente a métodos para contornar bloqueios geográficos. A situação contrasta ainda com declarações anteriores de Fouad Matin, membro da equipa de preparação cibernética da empresa, que tinha garantido que o programa de acesso de confiança não estaria limitado apenas aos Estados Unidos e à Europa.

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