
Perto de 30% das empresas de retalho na Europa registaram incidentes de cibersegurança ao longo dos últimos 12 meses, com consequências graves para a continuidade do negócio. De acordo com um recente estudo global realizado pelo Centro de Investigação Interna da Kaspersky, o setor tornou-se um alvo de elevado interesse para esquemas sofisticados, situação que levou 24% dos inquiridos a enfrentar a perda irrecuperável de informação crítica.
O impacto financeiro e as motivações dos atacantes
O roubo de informações pessoais dos clientes é o alvo de 36% das investidas tecnológicas na área do retalho, seguindo-se a captura da estratégia empresarial (30%) e a recolha de informação detalhada sobre os colaboradores (24%). Para entrarem nos sistemas de comércio eletrónico e redes corporativas, os atacantes recorrem predominantemente ao phishing, que afeta 24% das empresas inquiridas. A fraude tecnológica ganha novas formas através de deepfakes (12%), esquemas avançados com faturas (12%) e campanhas de vishing (9%).
O estrago não fica contido na infraestrutura de rede. O relatório aponta que as quebras de segurança resultam frequentemente em perdas financeiras (30%) e provocam a interrupção prolongada dos processos logísticos e operacionais para 27% das vítimas no espaço europeu.
Falhas internas e externalização de serviços
A vulnerabilidade do setor acentua-se devido ao comportamento interno e ao atraso na gestão do software. A ligação a redes públicas sem proteção (32%), a mistura de dispositivos pessoais com os de trabalho (29%) e a reutilização de palavras-passe fracas (29%) abrem portas vitais aos criminosos que procuram aceder a bases de dados cruciais. A falta de aplicação imediata de atualizações de segurança agrava a exposição e foi assinalada por 32% dos especialistas como um ponto de risco prioritário.
Em resposta ao agravamento do cenário, cerca de 85% dos retalhistas alocaram orçamentos mais robustos à defesa informática este ano. Para colmatar a escassez de talento interno, 41% dos negócios optaram por transferir funções de proteção de rede e monitorização para fornecedores externos especializados. Elizaveta Komarova, Solution Architect de finanças e retalho na Kaspersky, destaca que esta opção fornece conhecimentos em tempo real e tecnologias de barreira sem a necessidade de aumentar constantemente o efetivo interno.
A adoção veloz da inteligência artificial
O investimento massivo não se fica pela segurança, ramificando-se de forma acentuada pelas inovações baseadas em IA. Quase 80% das empresas do setor europeu encontram-se atualmente nas fases de projeto, debate ou teste direto destas plataformas. Existe, contudo, um otimismo potencialmente cego entre a classe dirigente, já que 26% dos responsáveis inquiridos afirmam não detetar riscos práticos na implementação rápida da tecnologia.
O retalho destaca-se face à banca devido a menores restrições regulamentares para a testagem de novas soluções, como explica Komarova. A concorrência obriga à adoção imediata para garantir margens de lucro, o que exige um equilíbrio rigoroso, garantindo que o escudo defensivo evolui ao mesmo ritmo do desenvolvimento tecnológico para impedir ruturas operacionais e financeiras de grande escala.







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