
Fim do mistério em Lowell Charter Township: a empresa que planeia construir um enorme centro de dados na região, e que tem gerado contestação local devido ao secretismo, é a Microsoft. A gigante tecnológica revelou a sua identidade numa carta enviada às autoridades locais esta semana, procurando acalmar os ânimos e iniciar um processo de diálogo com a comunidade.
O projeto, que envolve um investimento astronómico que pode variar entre os 500 milhões e os mil milhões de dólares (aproximadamente entre 475 e 950 milhões de euros), prevê a construção de infraestruturas num terreno vago de 237 acres. No entanto, o anonimato inicial da proposta levantou suspeitas e críticas, tanto de residentes como de empresários locais, preocupados com o impacto ambiental e o consumo de recursos.
Um gigante da tecnologia sai da sombra
A revelação surge após um mês de dezembro marcado por tensão, onde a falta de transparência sobre o promotor do projeto levou ao adiamento de uma audiência sobre a reclassificação do terreno. Numa carta datada de 7 de janeiro de 2026, a Microsoft assumiu a autoria da proposta, justificando a decisão com a necessidade de garantir transparência e solicitando uma pausa no processo administrativo para permitir um maior envolvimento com a população local.
Este movimento estratégico visa mitigar a frustração sentida pela comunidade, que acusou as autoridades do município de avançarem demasiado depressa sem revelar quem estava por detrás da obra ou quais seriam os requisitos energéticos da mesma. O local escolhido, situado no Covenant Business Park, perto da Interstate 96, tem estado vazio há vários anos devido à falta de infraestruturas básicas de água e saneamento, algo que a empresa terá de resolver caso o projeto avance.
A fome de energia da IA e os receios locais
O objetivo deste novo centro de dados é claro: sustentar a expansão agressiva da empresa no setor da Inteligência Artificial. Se for aprovada, a infraestrutura irá albergar os mais recentes GPUs da Nvidia e outros equipamentos críticos para executar grandes modelos de linguagem (LLMs), numa altura em que a tecnológica planeia duplicar o seu portfólio global de centros de dados nos próximos dois anos.
No entanto, é precisamente a natureza destas instalações que preocupa os habitantes. O consumo massivo de água e eletricidade exigido pelos servidores de IA é o principal ponto de discórdia. Para tentar apaziguar estes receios, a Consumers Energy, o maior fornecedor de energia do Michigan, publicou um documento onde assegura que a nova instalação não resultará num aumento das tarifas de eletricidade para os residentes atuais.
Segundo avançou a CNBC, a Comissão de Planeamento de Lowell Charter Township tem reunião agendada para o dia 12 de janeiro de 2026. Para que a obra avance, será ainda necessária a aprovação da alteração do zonamento de "desenvolvimento industrial planeado" para "industrial ligeiro", um passo que promete ser escrutinado de perto por uma comunidade agora alerta.