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Policia na rua

O clima de tensão social nos Estados Unidos repercutiu-se fortemente no interior de uma das maiores tecnológicas do mundo. Mais de 930 trabalhadores da Google assinaram uma petição urgente, exigindo que a empresa revele a extensão da sua colaboração com a Agência de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) e termine imediatamente esses contratos.

A iniciativa, organizada pelo grupo de defesa "No Tech for Apartheid", ganhou tração rapidamente, reunindo mais de 800 assinaturas de colaboradores a tempo inteiro em apenas 48 horas. Um dado significativo é que quase 30% destes signatários pertencem à divisão da Google Cloud, precisamente o setor responsável por fornecer a infraestrutura digital ao Departamento de Segurança Interna (DHS). Esta mobilização surge num contexto sensível, pouco tempo após o despedimento de várias dezenas de funcionários da Alphabet que protestaram contra um contrato de 1,2 mil milhões de dólares partilhado com a Amazon.

Tecnologia ao serviço da vigilância?

Os funcionários manifestam-se "chocados" com a violência associada às operações da ICE e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), citando incursões de estilo paramilitar em várias cidades. O documento refere factos graves, apontando para a morte de pelo menos 35 pessoas às mãos de agentes do DHS desde julho de 2025, incluindo nomes como Keith Porter, Renee Good e Alex Pretti.

A preocupação central dos trabalhadores prende-se com a forma como a tecnologia que desenvolvem está a ser utilizada no terreno. Entre as principais denúncias listadas na petição, destacam-se:

  • O uso do Google Cloud para alimentar sistemas de vigilância nas fronteiras;

  • A utilização do "ImmigrationOS" da Palantir em conjunto com a infraestrutura da Google para rastrear imigrantes;

  • A adoção do Google Gemini pelo DHS para "melhorar a eficiência pessoal" da força de trabalho;

  • O bloqueio, na Play Store, de aplicações que permitiam monitorizar a localização de agentes da ICE;

  • A veiculação de publicidade no YouTube focada no recrutamento de agentes e na promoção da autodeportação.

Exigências e impacto no setor

O grupo considera que a liderança da empresa tem a responsabilidade ética e política de divulgar todos os contratos e colaborações existentes. Entre as exigências apresentadas, solicitam o reconhecimento do perigo que estas políticas representam para os trabalhadores, a proteção de todos os funcionários (desde os centros de dados às lanchonetes) e a definição de limites claros sobre como as agências governamentais podem utilizar os serviços da tecnológica.

Este movimento de protesto não é isolado. A par desta iniciativa, uma segunda petição intitulada "A tecnologia exige o ICE fora de nossas cidades" reuniu assinaturas de trabalhadores de outras gigantes como a Apple, Oracle, PayPal e Spotify. Em resposta às acusações, um porta-voz da empresa limitou-se a confirmar que o DHS utiliza serviços básicos de infraestrutura em nuvem, disponíveis para qualquer cliente, conforme detalhado na página oficial dos Googlers Against ICE.




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