
O mercado de talento em Inteligência Artificial continua num estado de elevada volatilidade em Silicon Valley, com movimentações constantes entre as grandes empresas tecnológicas e as novas startups. Desta vez, o foco está na Thinking Machines Lab, a empresa fundada pela antiga executiva da OpenAI, Mira Murati, que está a ver sair figuras centrais da sua equipa de liderança para regressarem, precisamente, à sua antiga casa.
Menos de um ano após o seu lançamento, a startup está a despedir-se de dois dos seus cofundadores e de um outro membro da equipa técnica, num movimento que apanhou a indústria de surpresa.
Um regresso inesperado às origens
A Thinking Machines Lab, que tinha reunido uma equipa de alto perfil composta por antigos investigadores da OpenAI, Meta e Mistral AI, sofreu um revés significativo na sua estrutura. Barret Zoph, cofundador e Diretor de Tecnologia (CTO), Luke Metz, também cofundador, e Sam Schoenholz, membro da equipa técnica, estão todos de saída para regressar à empresa liderada por Sam Altman.
A confirmação oficial destas movimentações surgiu de forma rápida e coordenada. Mira Murati anunciou a saída de Barret Zoph numa publicação na rede social X, afirmando: "Separamo-nos do Barret. Soumith Chintala será o novo CTO da Thinking Machines. Ele é um líder brilhante e experiente que fez contribuições importantes para o campo da IA durante mais de uma década".
Curiosamente, o anúncio de Murati não mencionou as outras saídas. No entanto, apenas 58 minutos depois, Fidji Simo, CEO de aplicações da OpenAI, confirmou na mesma rede social o regresso do trio. "Entusiasmada por dar as boas-vindas a Barret Zoph, Luke Metz e Sam Schoenholz de volta à OpenAI! Isto está a ser preparado há várias semanas e estamos felizes por tê-los na equipa", escreveu Simo.
Reestruturação e rumores de tensão
A perda simultânea de dois cofundadores, especialmente quando um deles ocupava o cargo de CTO, pode ser interpretada como um revés considerável para uma jovem empresa que procura afirmar-se num mercado ultracompetitivo. Relatórios da Wired sugerem que a separação entre Zoph e a Thinking Machines não terá sido amigável, algo que a brevidade da mensagem pública de Murati parece corroborar.
Apesar desta turbulência na gestão de recursos humanos, a Thinking Machines Lab garantiu um apoio financeiro substancial desde a sua fundação. A empresa fechou uma ronda de investimento "seed" de 2 mil milhões de dólares em julho passado, o que a avaliou em 12 mil milhões de dólares. Entre os investidores encontram-se gigantes da indústria como a Nvidia e a AMD, além de fundos de capital de risco como a Andreessen Horowitz e a Accel.
Barret Zoph tinha trabalhado anteriormente na OpenAI como vice-presidente de investigação e passou seis anos na Google como cientista de investigação. A sua saída junta-se à de outros quadros importantes, como o cofundador Andrew Tulloch, que deixou a empresa em outubro para se juntar à Meta. Estas movimentações sublinham a intensa "dança das cadeiras" que se vive atualmente no setor da Inteligência Artificial, onde o talento técnico é o recurso mais valioso e disputado.