
O CEO da Epic Games, Tim Sweeney, voltou a posicionar-se contra as gigantes tecnológicas Apple e Google, mas desta vez em defesa de um aliado improvável: a rede social X (anteriormente Twitter). A controvérsia surge na sequência de pressões políticas nos Estados Unidos para remover a aplicação das lojas digitais, após relatos de que o chatbot de Inteligência Artificial da plataforma, o Grok, estaria a ser utilizado para gerar imagens explícitas e ofensivas.
Embora Sweeney seja conhecido pela sua batalha legal prolongada contra as taxas da App Store e Play Store — que culminou na criação da Epic Games Store e em mudanças no ecossistema móvel —, o executivo considera que o atual movimento para banir o X ultrapassa os limites da segurança digital e entra no campo da perseguição política.
O argumento da liberdade versus segurança
A polémica intensificou-se após várias denúncias indicarem que o Grok, a IA generativa integrada na rede social de Elon Musk, estava a ser usado para criar conteúdos deepfake não consensuais, incluindo material envolvendo menores. Apesar da gravidade das acusações, Sweeney utilizou a sua conta pessoal para argumentar que as exigências de banimento por parte de políticos norte-americanos representam uma ameaça às plataformas abertas.
Numa série de declarações, citadas pela PC Gamer, o executivo classificou a situação como uma tentativa de censura seletiva. Segundo Sweeney, "todas as grandes IAs têm casos documentados" de falhas graves, mas as empresas esforçam-se por corrigi-las. Para o CEO, exigir que intermediários como a Apple e a Google esmaguem "seletivamente a empresa dos seus oponentes políticos" configura um ato de "capitalismo ilícito básico".
Quando confrontado com a natureza dos conteúdos gerados (abuso sexual infantil e pornografia não consensual), Sweeney tentou separar a defesa da plataforma da defesa dos atos em si. O executivo reiterou que não defende "as coisas más que as pessoas fazem com IA", mas opõe-se ao uso de erros técnicos como pretexto para limitar liberdades ou aplicar a lei de forma desigual.
Reações e consequências globais
A postura de Sweeney gerou críticas imediatas na indústria, com jornalistas e observadores a questionarem se a defesa da "liberdade de expressão" deve sobrepor-se à proteção contra conteúdos ilegais gerados por ferramentas sem salvaguardas adequadas.
Enquanto o debate nos EUA permanece na esfera política e empresarial, outros governos já passaram à ação direta. A Indonésia bloqueou recentemente o acesso ao Grok, citando a falta de controlos eficazes contra a criação de deepfakes que violam a dignidade e segurança dos cidadãos. A Malásia seguiu um caminho semelhante, suspendendo o acesso à ferramenta.
Na Europa, a situação é igualmente tensa. O regulador do Reino Unido, Ofcom, abriu uma investigação formal contra o X ao abrigo do Online Safety Act. As autoridades britânicas estão a avaliar se a plataforma possui medidas suficientes para proteger os utilizadores de conteúdos ilegais e se os mecanismos de verificação de idade são eficazes. Caso sejam detetadas infrações, a rede social poderá enfrentar multas que ascendem aos 18 milhões de libras ou 10% da sua faturação global.










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