
Pouco depois de o presidente norte-americano ter anunciado a proibição de produtos da Anthropic no governo federal, o Secretário da Defesa, Pete Hegseth, foi mais longe e designou a empresa de inteligência artificial como um risco para a cadeia de abastecimento. A decisão surge após a empresa se ter recusado a ceder o seu modelo Claude para o desenvolvimento de armas letais autónomas sem supervisão humana e para vigilância em massa.
A medida pode ter um impacto imediato em várias empresas tecnológicas de grande dimensão que utilizam o Claude nos seus trabalhos para o Pentágono, incluindo a AWS e a Palantir. As empresas que colaboram com o departamento governamental têm agora um prazo de seis meses para deixarem de utilizar os produtos da tecnológica.
Ultimato do governo norte-americano
A decisão foi tomada após uma semana de intensas negociações sobre as políticas de utilização aceitável da empresa. O Pentágono apresentou um ultimato exigindo que a empresa concordasse em permitir a utilização do Claude para todos os fins legais até ao final da tarde de sexta-feira. Como a exigência não foi cumprida, a empresa foi alvo desta designação, que habitualmente é reservada a entidades com ligações a governos estrangeiros que representem um perigo para os Estados Unidos.
Numa publicação na rede social X, Pete Hegseth alargou a restrição a qualquer atividade comercial com a empresa por parte de contratantes militares, acusando a liderança da tecnológica de arrogância, traição e de tentar subjugar as forças armadas norte-americanas. O responsável afirmou que a ideologia de Silicon Valley não se pode sobrepor à vida das tropas americanas.
Batalha judicial à vista
Em resposta, a empresa partilhou um comunicado onde afirma não ter recebido qualquer notificação direta sobre o estado das negociações antes do anúncio público. A entidade defende que a designação aplicada pelo governo não tem base legal e que a mesma apenas se pode aplicar a contratos diretos com o departamento de guerra, não afetando a forma como os prestadores de serviços utilizam o Claude para outros clientes.
A empresa sublinhou ainda que colabora com as redes classificadas do governo dos Estados Unidos desde junho de 2024 e garante que irá contestar esta classificação de risco em tribunal. Segundo os seus responsáveis, a exigência de utilização dos seus modelos para vigilância doméstica em massa ou armas totalmente autónomas é uma linha vermelha que não pretendem ultrapassar, independentemente das pressões governamentais.












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