
O Google está a realizar testes para substituir os títulos originais das notícias nos seus resultados de pesquisa por frases geradas por algoritmos. Esta prática, que começou de forma discreta no feed Discover, está agora a expandir-se para a pesquisa tradicional, provocando críticas por alterar o significado das peças jornalísticas e retirar o controlo das mãos dos editores.
De acordo com um relatório detalhado do The Verge, a gigante tecnológica tem vindo a reescrever manchetes sem qualquer aviso prévio aos utilizadores ou aos sites de notícias. Em alguns casos, a alteração é tão drástica que muda a intenção do autor, transformando críticas negativas em resumos que podem ser interpretados como recomendações de produtos. Num exemplo prático, um artigo sobre uma ferramenta que não ajudava a "copiar" nos testes foi resumido apenas como "Ferramenta de IA para copiar em tudo", omitindo a conclusão negativa do autor.
Uma experiência que altera o sentido das notícias
A empresa descreve esta iniciativa como uma "pequena e estreita" experiência, embora não tenha revelado o número exato de utilizadores afetados. Porta-vozes da tecnológica afirmam que o objetivo é identificar conteúdos na página que possam ser mais úteis ou relevantes para a pesquisa específica de um utilizador, facilitando a interação com os resultados.

No entanto, para os editores, esta mudança é comparável a uma livraria que decide arrancar as capas dos livros nas prateleiras e escrever títulos novos por cima. O uso de inteligência artificial para este fim ignora o trabalho de redação que procura ser preciso e interessante sem recorrer a táticas enganadoras. Além disso, as manchetes geradas não seguem o estilo editorial das publicações e aparecem sem qualquer indicação de que foram modificadas pelo motor de busca.
O impacto na confiança e no trabalho jornalístico
Embora o motor de busca já fizesse pequenos ajustes em títulos demasiado longos no passado, a criação de frases completamente novas através de modelos generativos é considerada um passo sem precedentes e perigoso. Esta prática torna o jornalismo menos confiável num momento em que a desinformação é um desafio constante e as instituições jornalísticas lutam para manter a sua credibilidade junto do público.
O receio é que esta experiência se torne uma funcionalidade permanente, tal como aconteceu anteriormente com os títulos gerados no Discover. Se o sistema priorizar o desempenho estatístico em vez da precisão editorial, o resultado poderá ser uma avalanche de títulos que, embora possam gerar cliques, não representam fielmente a verdade dos factos apresentados nos artigos originais.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!