
O Google atingiu um marco histórico no desenvolvimento de software, revelando que a grande maioria do código que sustenta os seus serviços é agora gerada por algoritmos. De acordo com os dados partilhados pela publicação Business Insider, cerca de 75% do código da gigante tecnológica já tem a assinatura da inteligência artificial, uma mudança profunda que visa eliminar tarefas repetitivas e acelerar a inovação.
Este crescimento tem sido galopante nos últimos dois anos. Em novembro de 2024, a percentagem de código gerado por IA nos serviços da empresa era de apenas 25%, subindo para os 50% na primavera de 2025. O valor atual foi confirmado por Sundar Pichai, CEO do Google, que destacou a eficácia desta transição: uma migração de código complexa, que levaria meses a ser concluída manualmente, foi terminada seis vezes mais depressa com o apoio de agentes automatizados.
Evolução meteórica da programação autónoma
A estratégia da tecnológica não se limita apenas à criação de novas ferramentas, mas também à adaptação da sua força de trabalho. Para incentivar os engenheiros a adotarem estas soluções, foram introduzidas metas específicas de utilização de inteligência artificial nas avaliações anuais de desempenho. Atualmente, os engenheiros utilizam sobretudo os modelos da família Gemini, embora em divisões como o Google DeepMind já exista liberdade para testar ferramentas da concorrência, como é o caso do Claude Code.
Esta automatização permite que os engenheiros se foquem em problemas de arquitetura e lógica mais complexos, enquanto a inteligência artificial lida com o código mais básico ou repetitivo. O resultado é um ciclo de desenvolvimento muito mais curto e uma capacidade de resposta às exigências do mercado que seria impossível de alcançar apenas com trabalho humano.
Meta e Microsoft seguem o mesmo caminho
O movimento liderado pelo Google está a ser seguido de perto pelos seus principais rivais, que também estabeleceram metas ambiciosas para os próximos tempos. A Microsoft, por exemplo, planeia que 95% do seu código seja gerado de forma automática num prazo de cinco anos. Já a Meta definiu que, ainda no primeiro semestre de 2026, pelo menos 65% dos seus engenheiros devem estar a utilizar ferramentas inteligentes para redigir mais de 75% das linhas de código.
Esta corrida tecnológica sugere que a profissão de engenheiro de software está a sofrer uma mutação irreversível. O foco deixa de ser a escrita manual de código para passar a ser a supervisão e o refinamento de sistemas autónomos, garantindo que a tecnologia continua a evoluir com segurança e precisão.












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