
Os computadores pessoais sempre foram o centro do trabalho, estudo e lazer, oferecendo uma versatilidade muito superior à de qualquer consola no mercado. No entanto, a escalada contínua dos preços está a afastar os consumidores de novas compras ou atualizações. Numa investigação aprofundada realizada pelo canal Gamers Nexus, o cenário traçado para a indústria não é animador, com várias marcas a preverem que o modelo tradicional de consumo dará lugar a serviços de aluguer e subscrição.
O impacto dos preços no mercado tradicional
A crise no setor deve-se sobretudo ao aumento do custo da memória, do armazenamento SSD e das placas gráficas. O pensamento comum dos consumidores passou a ser o adiamento das compras, o que provocou uma queda abrupta nas vendas, afetando tanto o retalho como as próprias fabricantes.
Para agravar a situação, o crescimento da inteligência artificial centralizou o grande processamento em centros de dados. Isto significa que os utilizadores domésticos começam a ter alternativas para não necessitarem de máquinas tão potentes localmente. É neste contexto de crise e estagnação que ganha força o conceito de computação na nuvem e dos computadores por subscrição. Embora existam limitações em termos de privacidade e flexibilidade para trabalhar, algumas entidades do setor acreditam que este será o único caminho sustentável num futuro onde o hardware local se torna inacessível para as massas.
Fabricantes dividem opiniões sobre o futuro
O documentário reuniu os responsáveis de nove entidades influentes: Thermal Grizzly, Cooler Master, G.SKILL, HYTE, iBUYPOWER, Corsair, be quiet! e uma transportadora de logística. As perspetivas variam, mas o tom geral reflete uma grande cautela.
A Thermal Grizzly, conhecida pelas suas pastas térmicas, viu as suas vendas descerem drasticamente e foca-se agora no corte de custos operacionais e de marketing para sobreviver. A Cooler Master culpa as tarifas de importação e o excesso de inventário, defendendo que é muito difícil competir com os preços praticados na China, pelo que o aluguer de hardware na nuvem será o formato padrão do mercado.
Por outro lado, a G.SKILL mantém algum otimismo. Apesar da redução nas margens de lucro e do abrandamento nas vendas, a empresa acredita que a informática de consumo não vai desaparecer e que se trata apenas de uma fase de espera por preços mais baixos. Já Rob Teller, cofundador da HYTE, é perentório ao afirmar que os equipamentos de gama alta para entusiastas vão extinguir-se. A marca sofreu uma quebra de vendas de 40% num único ano, prevendo que apenas as fabricantes com margens de lucro fortes consigam resistir a esta transição.
No campo da montagem e logística, a iBUYPOWER afirma aguentar melhor o impacto por comprar material com bastante antecedência para a venda de sistemas completos, embora admita vender um volume inferior. A Corsair e o setor logístico apontam o dedo à especulação do mercado, ao caos alfandegário com tarifas aplicadas por Donald Trump e à subida do preço do petróleo devido aos conflitos globais, fatores que encareceram o transporte e asfixiaram as contas das empresas.
A fechar, a be quiet! nota que a Europa é a região mais afetada por esta crise. O elevado custo de vida deixa o consumidor europeu com menos dinheiro disponível para investir em passatempos tecnológicos. Como solução, a fabricante planeia direcionar os seus esforços de mercado para os Estados Unidos, onde os consumidores retêm um maior poder de compra para suportar os preços atuais.












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