
O mercado de componentes tecnológicos está a sofrer uma transformação profunda, e as tradicionais unidades de armazenamento que costumamos comprar nas lojas físicas ou online podem ter os dias contados. De acordo com informações partilhadas pela Silicon Motion, uma das maiores fabricantes de controladoras do setor, a forte pressão que a inteligência artificial exerce sobre a produção de memória NAND Flash está a desviar o fornecimento de [SSD](https://tugatech.com.pt/t85756-sandisk-lanca-novos-ssd-para-a-ps5 mas os precos sao astronomicos) diretamente para as grandes marcas de computadores, deixando os canais de retalho praticamente vazios.
A revelação foi feita por Nelson Duann, executivo responsável pela área de armazenamento cliente e automobilística da empresa, durante uma entrevista na COMPUTEX 2026. Segundo o responsável, o mercado minoritário quase desapareceu porque as fabricantes de módulos estão a canalizar as controladoras e os discos completos para marcas de equipamentos originais (OEM) como a Lenovo, HP, Dell, ASUS ou Acer, que enfrentam sérias dificuldades em obter chips de memória de forma direta.
Crise no fornecimento força reutilização de componentes
Com a escassez global de chips NAND Flash, as grandes montadoras de computadores deixaram de conseguir abastecer-se diretamente junto dos produtores de memória. A solução encontrada passa por adquirir unidades de armazenamento completas a fornecedores terceiros para reaproveitar esses componentes nos seus próprios sistemas integrados. Desta forma, a produção que antes alimentava as prateleiras das lojas de informática está agora reservada para os computadores de secretária e portáteis que já vêm montados de fábrica.
A raiz deste problema prende-se com a ordem de prioridades estabelecida pelos gigantes da indústria de semicondutores. Na fila de distribuição da preciosa memória NAND Flash, o primeiro lugar pertence por inteiro aos centros de dados e servidores focados em cargas de trabalho de inteligência artificial. Seguem-se os smartphones, os computadores pessoais e, por fim, o setor automóvel.
Centros de dados vão absorver grande parte da produção
As projeções apresentadas pela indústria apontam para um cenário ainda mais complicado nos próximos meses. Os centros de dados deverão abocanhar entre 70% e 80% de toda a distribuição global de NAND Flash, restando apenas uma fatia que varia entre 20% e 30% para dividir por todos os restantes mercados de consumo.
Olhando para o horizonte de 2027, as perspetivas mantêm-se pessimistas. Embora esteja previsto um aumento na capacidade de produção, a procura mundial deverá registar um crescimento na ordem dos 100%, anulando qualquer folga no sistema. Como as novas fábricas de semicondutores só deverão começar a operar em volumes relevantes no final do próximo ano ou no início de 2028, os utilizadores e as pequenas empresas devem preparar-se para um período prolongado de forte pressão sobre os preços e uma enorme escassez de stock de discos de armazenamento no mercado independente.












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