
Entre janeiro e o início de maio de 2026, as soluções de segurança da Kaspersky identificaram mais de 92 mil ciberataques a nível global, onde os piratas informáticos utilizaram falsos serviços de inteligência artificial para distribuir malware. As ferramentas mais populares do mercado tornaram-se no isco perfeito para enganar as vítimas e conseguir acesso a dispositivos e dados sensíveis.
Os dados foram apresentados durante a conferência europeia Kaspersky HORIZONS, em Roma. Segundo a investigação, quase metade destes ataques (49%) utilizaram aplicações falsificadas do ChatGPT para atrair os utilizadores. As plataformas Claude e Gemini também foram fortemente exploradas nesta campanha, representando cada uma 18% das ameaças detetadas pelas equipas de cibersegurança.
O impacto em Portugal e a campanha Silver Fox
Desde o início do ano, os especialistas encontraram mais de 15 mil amostras de software malicioso desenhado para imitar agentes inteligentes, incluindo versões fraudulentas de programas em rápido crescimento, como o OpenClaw. Em maio de 2026, a equipa de investigação Global Research and Analysis Team (GReAT) detetou uma campanha ativa do grupo Silver Fox, que distribuía instaladores falsos para Windows, macOS e Linux. Uma vez executados, estes ficheiros instalavam silenciosamente cavalos de Troia bancários, spyware e outros programas nocivos para manter o acesso prolongado aos sistemas.
Este cenário ganha especial relevo em Portugal, onde as organizações enfrentam uma média de 2110 ataques por semana, o que representa uma subida de 12% face ao período homólogo do ano anterior. O phishing focado em simular marcas de confiança lidera os incidentes no país, com o malware focado no roubo de credenciais através de navegadores a representar mais de 80% da atividade maliciosa no terceiro trimestre de 2025. A adoção acelerada de ferramentas gerativas em empresas portuguesas e serviços públicos torna o país num alvo apetecível e altamente exposto a estas falsificações.
Novas regras de confiança no ambiente corporativo
Dmitry Galov, responsável pelas unidades da Rússia e da Comunidade de Estados Independentes na GReAT, sublinha que a chegada dos agentes inteligentes altera a própria natureza da confiança no seio das empresas. A proteção já não se resume aos equipamentos físicos, exigindo agora um controlo rigoroso sobre as permissões, a inteligência e as decisões que se propagam em processos automatizados. O especialista reforça que soluções de segurança fiáveis são agora uma componente essencial para a sobrevivência digital de qualquer negócio.
Para mitigar estes riscos constantes, os investigadores aconselham as organizações a reforçarem as suas infraestruturas com soluções de visibilidade avançada, como o Kaspersky Next, ou a recorrerem a serviços de gestão de incidentes externos para uma resposta e remediação contínuas. Já para os utilizadores comuns, a recomendação principal passa por descarregar serviços unicamente através de fontes oficiais e empresas reputadas, evitando bots desconhecidos que operam com o objetivo de extrair informações pessoais para esquemas de fraude ou chantagem.







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