
Durante a Computex 2026, a AMD deixou bem claro o rumo que pretende seguir com as suas placas gráficas RX 9000. Ao contrário do que muitos pensavam ser uma limitação técnica, a margem adicional para overclocking presente nestes equipamentos não é um acidente, mas sim uma decisão estratégica. De acordo com as declarações de David McAfee, responsável pelas divisões Ryzen e Radeon, à PC Gamer, a fabricante liderada por Lisa Su quer devolver o controlo aos entusiastas e oferecer mais valor prático na compra.
O fim da limitação de fábrica
A prática comum na indústria durante largos anos passou por ajustar as placas gráficas e os processadores ao limite das suas capacidades logo na linha de montagem. Através da técnica de binning, as marcas selecionam os melhores chips e cobram um valor superior por eles, embora o resto do componente seja muitas vezes idêntico ao modelo base. Esta estratégia permite vender mais versões pré-configuradas, mas retira ao comprador a liberdade de alterar voltagens, frequências e testar os verdadeiros limites do hardware.
O bloqueio de voltagens é algo que acompanha o mercado informático há mais de quinze anos e acabou por se normalizar entre os consumidores. No entanto, a margem generosa de overclocking deixada nas RX 9000 surge como uma característica extra assumida, pela qual o utilizador não tem de pagar um valor acrescido.
A estratégia focada na comunidade entusiasta
McAfee explica que a capacidade de explorar e ajustar o hardware é um fator essencial para os compradores e jogadores mais entusiastas. O executivo traça um paralelismo direto com a história de sucesso dos processadores Ryzen, onde a filosofia central passou por entregar mais valor ao consumidor final e escutar ativamente a comunidade. Esta é a mesma narrativa que a empresa procura agora implementar na família de produtos Radeon.
Embora a Nvidia lidere o mercado das placas gráficas de forma isolada, a história da tecnologia mostra que as gigantes podem ceder espaço, tal como aconteceu com a Intel no segmento dos processadores. A construção da plataforma perfeita para jogos leva as suas gerações e engloba o suporte contínuo e a integração de novas tecnologias como o FSR. O objetivo principal da marca é garantir que as placas não chegam às mãos do cliente espremidas até à última gota de fábrica, mantendo espaço para ajustes manuais populares como o undervolt. Com esta abordagem assumida abertamente como uma característica do produto, fica a questão sobre o que trarão as RX 11000 e se poderão vir a oferecer opções com voltagens ainda mais desbloqueadas.












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