
O arranque de 2026 não está a ser fácil para quem planeava montar ou atualizar o seu PC. O fenómeno que a indústria apelidou de "RAMageddon", impulsionado pelo aumento acentuado nos custos de memória, está agora a atingir em cheio o mercado das placas gráficas. Em resposta às diretrizes das gigantes NVIDIA e AMD, as principais fabricantes parceiras — MSI, ASUS e GIGABYTE — preparam-se para aumentar os preços das gamas RTX 50 e RX 9000 antes mesmo de janeiro terminar.
Este movimento não é isolado, mas sim uma consequência direta da subida dos custos de produção, e o impacto na carteira dos consumidores promete ser significativo, com ajustes percentuais que podem ser considerados drásticos em determinados modelos.
Aumentos de até 20% chegam ao retalho
A raiz do problema reside no encarecimento contínuo das memórias GDDR6 e, em particular, da nova norma GDDR7. Esta inflação nos componentes essenciais levou a que a NVIDIA e a AMD informassem os seus parceiros de que os custos de fornecimento iriam subir. Embora os preços recomendados oficiais (MSRP) não tenham sido tecnicamente alterados pelas marcas-mãe, a mensagem para os fabricantes foi clara: as margens de lucro estão a encolher e alguém terá de absorver a diferença.
Como seria de esperar, essa fatura está a ser passada ao consumidor final. A MSI já começou a aplicar estes aumentos na série RTX 50, enquanto a ASUS e a GIGABYTE deverão seguir o mesmo caminho na próxima semana para protegerem as suas operações financeiras.
Os números que chegam da cadeia de distribuição não são animadores. Ao nível do fornecimento, os aumentos rondam os 10% a 15%. No entanto, quando estes produtos chegam às prateleiras das lojas, o impacto é ainda maior. No caso das Radeon RX 9000, os retalhistas na Europa e na China já registam subidas entre os 10% e os 18%. A situação é ainda mais crítica para as GeForce RTX 50, especialmente nos modelos com 16 GB de memória ou mais, onde os preços estão a disparar entre 15% e 20%.
A aposta nos 8 GB e o futuro do mercado
Esta crise nos custos da memória ajuda a explicar algumas das decisões estratégicas recentes que temos observado no mercado. A preferência da NVIDIA em comercializar modelos de gama alta com apenas 8 GB de VRAM, em detrimento de versões com 16 GB, não se deve apenas a limitações técnicas, mas sim a uma lógica puramente económica. Estas placas tornam-se mais fáceis de vender por terem um preço de entrada mais baixo e, crucialmente, dependem menos dos dispendiosos módulos de memória, permitindo margens de lucro superiores por unidade vendida.
Para os entusiastas que procuram o topo de gama, como as RTX 5080 e RTX 5090, o cenário poderá complicar-se ainda mais. Embora estes modelos partam de um volume de vendas menor, se a tendência de subida da memória se mantiver e a oferta não estabilizar, este segmento será o próximo a sofrer com a escassez e o aumento de preços.
A indústria parece unânime na previsão de que os preços finais continuarão a subir ao longo de 2026. A ação coordenada da MSI, ASUS e GIGABYTE é apenas o primeiro sinal de que comprar hardware a preços "justos" será uma tarefa quase impossível a partir de fevereiro, conforme detalhado pelo Commercial Times. Para quem adiou a compra do seu novo setup, o conselho é simples: o melhor momento foi ontem.












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