
A plataforma de mensagens instantâneas e colaboração do governo francês, conhecida como Tchap, foi alvo de uma intrusão que afetou um total de 73 467 utilizadores. De acordo com os dados avançados pela DINUM, a direção de assuntos digitais do executivo de França, o incidente comprometeu a segurança do serviço encriptado através de uma conta legítima que se encontrava vulnerável.
A falha foi inicialmente detetada pela ANSSI, a agência nacional de cibersegurança francesa. Numa fase inicial, as autoridades não revelaram o número exato de contas afetadas, mas a atualização mais recente aponta para que perto de 9% dos 825 000 utilizadores registados na plataforma tenham sido prejudicados pela campanha maliciosa.
Detalhes do ataque e o impacto nos ministérios
A conta de utilizador utilizada para realizar os pedidos maliciosos foi imediatamente bloqueada pelas autoridades para cortar o acesso do atacante e mitigar a recolha de informações. A investigação detalhada apurou que os dados expostos incluem, pelo menos, o nome, apelido, endereço de correio eletrónico, a entidade pública a que o utilizador pertence e a respetiva imagem de perfil.
Embora a entidade oficial não tenha atribuído formalmente a autoria do ataque a um grupo específico, um pirata informático que se autodenomina "misere" reivindicou a autoria do roubo de dados num fórum da dark web. O atacante afirma ter conseguido acesso à infraestrutura através de técnicas de engenharia social, tendo conseguido extrair cerca de 13,5 GB de informação confidencial.
Mensagens e salas de conversação expostas
Segundo as alegações partilhadas pelo cibercriminoso, o volume de informação roubada engloba não apenas os dados das contas dos utilizadores, mas também 643 459 mensagens, 876 salas de conversação com o respetivo histórico e 59 386 ficheiros multimédia partilhados.
O ataque assume contornos de elevada gravidade dado que o intruso terá acedido a canais de discussão que envolviam funcionários e funcionários de áreas críticas do Estado francês. Entre os ministérios afetados encontram-se o Ministério das Finanças, o Ministério da Defesa e o próprio Gabinete do Primeiro-Ministro.
A DINUM emitiu um aviso em que reforça que a plataforma continua a ser um ambiente seguro para a partilha profissional, desde que sejam cumpridos os termos de utilização. O organismo relembrou ainda que nenhuma informação sensível, de caráter pessoal ou abrangida por segredo profissional deve ser partilhada em canais públicos, devendo essas interações ficar estritamente reservadas a conversas privadas.












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