
Uma massiva campanha de "password-spraying" dirigida a ambientes Microsoft 365 gerou mais de 81 milhões de tentativas de início de sessão num período de apenas duas semanas. A atividade maliciosa, detetada entre os dias 12 e 26 de junho pela empresa de cibersegurança Huntress, resultou no comprometimento de 78 contas pertencentes a 64 organizações distintas. O pico de maior intensidade registou-se no dia 22 de junho.
O método de intrusão e a rasteira à autenticação multifator
Os autores da ameaça tentaram validar as credenciais recorrendo à interface de linha de comandos (CLI) do Azure da Microsoft. Para isso, utilizaram combinações de utilizadores e palavras-passe antigas expostas em fugas de dados anteriores que ainda se encontravam ativas. Esta ferramenta de gestão na nuvem serve habitualmente para os administradores controlarem máquinas virtuais, instalarem aplicações e automatizarem operações remotas.
Sempre que descobria um par de dados válido, o atacante efetuava a autenticação através do mecanismo OAuth conhecido como ROPC (Resource Owner Password Credentials). Este método permitiu contornar as barreiras de autenticação multifator (MFA) em diversas empresas devido a políticas de acesso condicional configuradas de forma insegura. A equipa de investigadores explicou que o protocolo ROPC envia a palavra-passe diretamente para o ponto de validação final, sem apresentar qualquer pedido interativo no ecrã do utilizador, inviabilizando a proteção do segundo fator ou do início de sessão único (SSO).
Falhas graves de configuração expõem as empresas
A análise efetuada revelou diversas debilidades específicas nas defesas das organizações afetadas. Em alguns casos, as empresas simplesmente não tinham qualquer política de MFA ativa. Noutras situações, a proteção estava associada apenas a aplicações específicas em vez de abranger a totalidade das plataformas na nuvem, ou era exigida exclusivamente a determinados grupos de utilizadores, como os administradores do sistema. Houve ainda registos de configurações que apenas pediam o segundo fator quando os acessos vinham de localizações desconhecidas, permitindo a entrada de tráfego mascarado a partir de IPs aparentemente fidedignos, além de políticas deixadas apenas em modo de relatório, que nunca chegaram a ser aplicadas na prática.
A escala global deste tipo de investida disparou de forma acentuada, registando-se um crescimento superior a 155 vezes nos incidentes de password-spraying. Atualmente, as organizações enfrentam uma média mensal de 1964 tentativas falhadas de início de sessão por cada cliente na plataforma. Embora a identidade dos responsáveis por estes ataques permaneça desconhecida, os dados técnicos apontam para uma gama de endereços IPv6 pertencente à entidade LSHIY LLC.
Para quem administra sistemas em ambiente empresarial, esta situação serve de aviso claro para a urgência de rever as regras de acesso condicional. A ausência de uma validação global para todas as aplicações deixa caminhos abertos que os cibercriminosos continuam a explorar com eficácia.












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