
A Cisco confirmou recentemente que agentes maliciosos estão a explorar de forma ativa uma vulnerabilidade que afeta o sistema Unified Communications Manager. O problema, identificado como CVE-2026-20230, permite ataques de falsificação de pedidos do lado do servidor, também conhecidos como SSRF. A confirmação oficial surge semanas após a empresa ter disponibilizado as correções iniciais, conforme detalhado no boletim de segurança oficial.
Detalhes da falha e histórico de ataques
O Unified CM, anteriormente chamado de CallManager, atua como o sistema de controlo central para infraestruturas de telefonia IP, gerindo o encaminhamento de chamadas e os equipamentos associados. A falha referida permite que qualquer indivíduo sem privilégios consiga atacar o sistema de forma remota e com baixa complexidade, bastando para isso enviar um pedido HTTP devidamente manipulado.
Aquando do lançamento das correções a 3 de junho, a equipa de segurança do produto indicou que já circulavam provas de conceito na internet, mas faltavam evidências de ataques práticos. A realidade mudou no dia 22 de junho, quando os investigadores da Defused alertaram que a brecha estava a ser usada ativamente para criar ficheiros nos equipamentos alvo. A situação escalou no dia seguinte com a publicação de um relatório técnico aprofundado por parte da SSD Secure.
Neste momento, a plataforma Shadowserver monitoriza mais de duas centenas de instâncias do sistema expostas publicamente, a grande maioria localizada na América do Norte e na Ásia. Não há ainda dados definitivos sobre quantas destas instâncias já aplicaram as devidas proteções.
Como proteger as infraestruturas empresariais
Para os administradores de redes em Portugal e no resto da Europa, a inação pode comprometer gravemente o controlo e a privacidade das comunicações corporativas. A marca reforça a necessidade imperativa de atualizar o software para uma versão corrigida, nomeadamente as edições 14SU6 ou 15SU5.
Se a tua organização não puder realizar a atualização de imediato devido a constrangimentos operacionais, existe uma medida de mitigação temporária. A recomendação técnica passa por desativar o serviço WebDialer, que serve de porta de entrada para esta exploração específica, até ser possível aplicar o remendo definitivo.
Este cenário reforça o clima de alerta contínuo em torno das infraestruturas críticas de rede. De notar que, desde o final de 2021, as autoridades de cibersegurança norte-americanas já catalogaram mais de 90 vulnerabilidades da fabricante sob exploração ativa, várias das quais resultaram diretamente em incidentes graves de sequestro de dados e sistemas.












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