
Administradores de sistemas em Portugal que utilizem a infraestrutura de comunicações da fabricante devem agir com urgência. A vulnerabilidade de alta gravidade CVE-2026-20230, que afeta o Unified Communications Manager (Unified CM) e a Session Management Edition, está a ser alvo de um ataque ativo nas redes globais, segundo as informações confirmadas no boletim de segurança da Cisco e através dos dados de monitorização partilhados pela firma Defused.
Identificada inicialmente no início de junho, esta falha permite que um invasor remoto e sem qualquer autenticação realize uma falsificação de pedidos do lado do servidor (SSRF). Na prática, isto significa que entidades maliciosas podem enviar pedidos HTTP manipulados diretamente para o equipamento afetado, abrindo a porta para a escrita de ficheiros arbitrários no sistema operativo subjacente.
Como funciona a invasão inicial
O problema reside na forma como o componente Webdialer lida com a validação dos endereços URL fornecidos pelo utilizador. De acordo com a documentação técnica da SSD Secure, os cibercriminosos conseguem forçar a aplicação a guardar dados no sistema através da manipulação de URIs com o prefixo associado a ficheiros locais.
A atividade maliciosa mais recente tem origem num único endereço IP, onde os atacantes recorrem a esta mecânica para criar um documento de texto de teste dentro do diretório temporário das máquinas. O objetivo desta manobra inicial passa por identificar quais os dispositivos que se encontram vulneráveis e recetivos aos pedidos forjados.
Risco de escalonamento de privilégios
Embora as investidas atuais pareçam estar focadas numa fase de reconhecimento, as consequências de ignorar a atualização são severas para o ambiente empresarial. Ao controlar o caminho e o conteúdo gravado no disco, quem explora o erro consegue executar código de forma remota, culminando na elevação para permissões de raiz (root) no dispositivo.
Para as organizações nacionais que dependem destas plataformas, isto representa um risco direto de comprometimento total da infraestrutura de gestão de chamadas e sessões internas. Com a publicação recente das provas de conceito (PoC), a probabilidade de exploração por grupos criminosos é alta. A aplicação imediata das correções lançadas a 3 de junho é a única medida capaz de travar a vulnerabilidade e proteger os sistemas expostos.












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