
O ecossistema de complementos do navegador da Google prepara-se para uma transformação definitiva e sem retorno. O Google Chrome vai avançar com a remoção total de todas as extensões baseadas no antigo formato Manifest V2 (MV2), forçando a transição absoluta para o novo padrão Manifest V3. A medida afetará diretamente ferramentas populares de bloqueio de publicidade e privacidade, incluindo o amplamente utilizado uBlock Origin.
Segundo o cronograma oficial disponibilizado na documentação para programadores da Google, o suporte a estes add-ons será inteiramente descontinuado na Web Store até ao dia 31 de agosto de 2026. A partir dessa data, qualquer extensão que ainda dependa da arquitetura antiga deixará de funcionar no navegador, eliminando inclusive os truques e soluções temporárias que os utilizadores têm empregado para contornar as restrições nas versões mais recentes.
O impacto nos bloqueadores de anúncios e as alternativas
A alteração técnica promovida pela equipa do Chromium limita a capacidade de execução de determinados scripts que os bloqueadores de publicidade tradicionais necessitam para operar com eficácia máxima. Com a chegada iminente da versão 151 do ecossistema de navegação da empresa, o bloqueio será integral.
Para os utilizadores afetados em Portugal e no resto do mundo que pretendem manter a experiência de navegação inalterada, surgem caminhos distintos no mercado de navegadores:
Mudança para o Firefox: A Mozilla continua a disponibilizar suporte completo ao Manifest V2 no seu navegador, tornando a transição para o ecossistema Manifest V3 inteiramente opcional para os programadores. Isto garante o funcionamento do uBlock Origin sem sobressaltos e de forma duradoura. Adicionalmente, o rival do Chrome prepara-se para lançar uma interface renovada e novas funcionalidades utilitárias a curto prazo.
A estratégia automática do Brave: Sendo um navegador assente no motor Chromium, o Brave seguiu uma abordagem diferente para proteger a sua comunidade. Na sua atualização mais recente (versão 1.92.134), o programa integrou uma funcionalidade capaz de detetar extensões MV2 desativadas oriundas da loja da Google e substituí-las de forma automática por equivalentes alojados nos seus próprios servidores, dispensando a intervenção manual do utilizador.
O posicionamento do Microsoft Edge e do Opera
Outros participantes de relevo no setor dos navegadores web geram respostas mistas sobre o fim do ecossistema antigo. O Opera confirmou que planeia alinhar-se com as diretrizes do motor Chromium e migrar eventualmente para o Manifest V3, o que significa que as extensões antigas também deixarão de funcionar na sua plataforma a longo prazo.
Por sua vez, a Microsoft ainda não fixou uma data concreta para o encerramento dos mecanismos de desvio no Microsoft Edge, mantendo o prazo classificado como indefinido. A tecnológica de Redmond assegura, contudo, que o suporte corporativo através de políticas de grupo para empresas se manterá ativo, pelo menos, até ao limite estipulado pela cronologia oficial do projeto de código aberto Chromium. Para o consumidor doméstico português, resta a necessidade de atualizar os navegadores ou ponderar a migração de plataforma para evitar que os seus complementos diários fiquem subitamente inoperacionais.












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