
A Ripple esteve à beira de encerrar as suas operações em vez de travar uma longa batalha judicial com a SEC. Segundo o CEO Brad Garlinghouse, a empresa considerou distribuir os seus ativos em XRP pelos acionistas e dissolver a organização após ser processada em 2020.
A revelação foi feita no início desta semana, durante uma intervenção na School of Business da Universidade do Kansas, cujo registo foi partilhado no YouTube. Garlinghouse detalhou a difícil decisão que enfrentou juntamente com o cofundador Chris Larsen. Perante um governo que o executivo descreveu como tendo "poder e recursos infinitos", a extinção parecia o caminho mais fácil.
A empresa detém uma grande quantidade de XRP e a proposta em cima da mesa passava por entregar esses ativos de forma proporcional aos investidores. Esta manobra acabaria por terminar a atividade da Ripple e colocar um ponto final no caso movido pelo regulador dos EUA.
A decisão de enfrentar a agência
Para salvar empregos, os fundadores optaram por lutar. O principal motivo apontado para recusar o encerramento foi a preservação de centenas de postos de trabalho que se perderiam de imediato. "Estou contente em retrospetiva, mas não era óbvio na altura", afirmou o executivo máximo da Ripple.
O processo começou em 2020 e alegava que o XRP tinha sido vendido como um valor mobiliário não registado, visando também os dois responsáveis a nível pessoal. Para Garlinghouse, faltaram regras claras. Os encontros com a agência repetiram-se por quatro vezes entre 2017 e 2019, sempre sem a presença de advogados, e nunca lhe foi transmitido que o XRP pudesse ter esse enquadramento legal.
O peso financeiro e o desfecho
A disputa arrastou-se ao longo de quatro anos e teve um impacto severo nas finanças da organização. Os custos legais da defesa ascenderam a cerca de 138 milhões de euros. A empresa acabou por prevalecer quando a juíza Analisa Torres deliberou que o XRP, por si só, não constitui um valor mobiliário.
As duas partes chegaram a um acordo em maio do ano passado. A resolução surgiu após a administração de Trump ter implementado uma nova liderança na SEC, que adotou uma postura mais recetiva em relação às criptomoedas. Em Portugal e na Europa, o panorama para este tipo de ativos conta agora com regulamentação mais definida, como é o caso da lei MiCA, contrastando com as dificuldades imprevisíveis descritas pela marca norte-americana.












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