
A atual conjuntura económica está a moldar de forma visível os hábitos financeiros das novas gerações. Segundo dados recentes do Observador Cetelem, 74% dos portugueses entre os 18 e os 35 anos já têm ou ponderam garantir uma fonte de rendimento adicional. Destes, 40% já acumulam a sua atividade principal com um projeto paralelo ou segundo emprego, enquanto 34% admitem vir a fazê-lo.
O peso da habitação no orçamento mensal
A pesquisa aponta que o rendimento médio mensal destes jovens situa-se nos 1.489 €, um montante frequentemente absorvido pelas despesas fixas. A habitação destaca-se como o maior encargo em Portugal: para metade dos inquiridos, representa até 30% do orçamento, enquanto cerca de um terço destina entre 31% e 50% dos ganhos para o pagamento da renda ou da prestação. Esta realidade leva 41% a avaliar de forma negativa o seu poder de compra atual.
Face a este cenário, os consumidores procuram adaptar-se e definir novas prioridades. Mais de metade (55%) admite ter projetos que gostaria de concretizar, mas que o orçamento não permite. Viajar (47%), comprar casa (30%) e fazer obras (25%) são os objetivos mais adiados. Como alternativas para manter o estilo de vida, 38% consideram o apoio financeiro familiar e 49% ponderam recorrer a crédito bancário. Ainda assim, o bem-estar mantém-se como um foco importante, existindo uma aposta em despesas como viagens (23%), assinaturas digitais (21%) e desporto (20%).
Poupança e novos modelos de investimento
Apesar das dificuldades relatadas, existe um esforço claro de resiliência financeira. Cerca de 78% dos jovens conseguem poupar de forma regular, destinando em média 15% do seu rendimento mensal para fundos de emergência (23%), preparação para a reforma (24%) ou aquisição de habitação (13%).
No que toca à rentabilização do dinheiro, as preferências começam a afastar-se das metodologias das gerações anteriores. Embora os depósitos tradicionais continuem a liderar (40%), nota-se uma forte atração por novos modelos de risco: 23% investem em ETFs e 18% em criptomoedas. Em contraste, os indivíduos com mais de 35 anos privilegiam os depósitos (44%), os Planos de Poupança Reforma (29%) e os Certificados de Aforro (25%).
Hugo Lousada, diretor do Cetelem, explicou que esta faixa etária está a responder ao custo de vida procurando reforçar o seu poder de compra e ajustando comportamentos. A perspetiva a longo prazo permanece otimista, com 48% dos jovens a acreditar que a sua situação financeira pessoal irá melhorar, uma margem de confiança consideravelmente superior à verificada nos inquiridos mais velhos (31%).












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