
A escolha do utilizador ao navegar na internet continua sob forte pressão nos sistemas operativos da Microsoft. Um novo relatório publicado pela Mozilla revela que a tecnológica mantém uma panóplia de táticas visuais e textuais enganosas para afastar os consumidores de qualquer browser alternativo, forçando a utilização do Edge. A investigação atualiza um estudo de há dois anos e demonstra que os padrões de interferência nociva persistem em várias regiões do mundo.
O estudo atual, intitulado "Over The Edge 2.0", analisa a experiência de utilização e classifica as rasteiras em rasteiras textuais, interferências visuais, insistências e ações forçadas. Estas manobras acontecem em praticamente todas as etapas da jornada digital de quem tenta gerir o seu computador pessoal.
O reset silencioso na transição de sistema
Com o fim do suporte do Windows 10 em outubro de 2025, mais de mil milhões de computadores pessoais transitaram para o Windows 11. Para facilitar este processo, a empresa comercializa uma ferramenta de cópia de segurança dedicada. Contudo, os investigadores Harry Brignull e Cennydd Bowles descobriram que esta utilidade altera as preferências do utilizador sem aviso prévio. Ao restaurar um sistema que tinha um navegador alternativo predefinido, o ecossistema repõe silenciosamente o Edge como padrão, ignorando a configuração anterior.
Os testes foram realizados em quatro geografias distintas: Estados Unidos, Reino Unido, Índia e Alemanha. A conclusão é idêntica para todos os mercados testados, comprovando que ações simples como descarregar, configurar ou manter um programa concorrente enfrentam intromissões prejudiciais permanentes.
A inteligência artificial como novo funil de dados
O relatório destaca ainda o papel das novas interfaces baseadas em inteligência artificial. O Copilot, assistente integrado no sistema operativo, ignora a escolha de predefinição do utilizador e abre todas as ligações externas diretamente no Edge. Os investigadores alertam que pedidos sucessivos de consentimento, aparentemente menores, criam uma conduta que canaliza dados de navegação — inclusive de plataformas rivais — para os sistemas de publicidade e personalização da empresa.
A única variação regional relevante surge no Espaço Económico Europeu (EEE). Devido à pressão regulatória exercida pela Lei dos Mercados Digitais, a Microsoft removeu alguns dos padrões prejudiciais na região europeia. Ainda assim, várias táticas persistem na Europa, o que leva a organização a instar a empresa a abandonar globalmente estas práticas e a apelar à intervenção das autoridades internacionais para garantir a livre concorrência.












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