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Videojogo na Steam com malware

Segundo um processo criminal divulgado na DocumentCloud, o FBI deteve Zyaire Wilkins, um estudante norte-americano de 21 anos, acusado de publicar videojogos fraudulentos na loja digital de videojogos para PC. O objetivo da operação passava por infetar os computadores das vítimas, roubar palavras-passe e esvaziar carteiras de criptomoedas, num esquema que rendeu pelo menos 202.400 €.

O esquema por trás dos falsos jogos

Durante os últimos dois anos, Wilkins e os seus cúmplices publicaram diversos títulos aparentemente inofensivos no Steam. Jogos como BlockBlasters, Dashverse, Lampy, Lunara e PirateFi eram desenhados para parecerem legítimos e totalmente jogáveis. Oculto no código estava um malware configurado para vasculhar os sistemas informáticos em busca de dados sensíveis.

Para atrair jogadores, os piratas informáticos promoviam ativamente as suas criações através do Discord, LinkedIn e Telegram. De acordo com as autoridades, a tática resultou na infeção de cerca de 8.000 máquinas. Destas vítimas, cerca de 80 tiveram as suas carteiras digitais invadidas. A Valve, empresa gestora da plataforma, já havia removido os títulos em causa ao longo do último ano, à medida que o seu caráter malicioso foi sendo descoberto.

Para os utilizadores em Portugal, este caso evidencia a necessidade de cautela ao descarregar videojogos independentes desconhecidos, mesmo quando distribuídos em plataformas de grande dimensão. A capacidade de um simples executável de jogo aceder a ficheiros locais reforça a importância de manter as criptomoedas em carteiras físicas offline e de separar ambientes de lazer dos ambientes de trabalho e gestão financeira.

Cartões de refeição desencadearam a queda

A investigação do FBI ganhou dimensão pública em março, altura em que a agência apelou aos lesados destes videojogos para fornecerem provas. Após a identificação e o interrogatório de um dos cúmplices, os agentes federais conseguiram traçar o percurso do dinheiro roubado, que servia para financiar o lançamento e o marketing de novos títulos infetados.

O grupo recorria a uma conta específica de criptomoedas para converter os ativos ilícitos em cartões-presente, incluindo vouchers da Uber Eats. Uma intimação legal à Uber permitiu às autoridades cruzar dados e descobrir que os cartões serviam para encomendar refeições entregues diretamente na residência de Wilkins, conhecido no meio digital pelo pseudónimo Sibel.eth.

A operação encerrou com o cumprimento de um mandado de busca à casa do suspeito na Flórida. As forças de segurança apreenderam um computador portátil MacBook, telemóveis, carteiras digitais e outros dispositivos eletrónicos. O jovem optou por não prestar declarações durante a detenção.

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