
Quase seis meses após a passagem da depressão Kristin, a região de Leiria regista ainda cerca de 1.600 clientes sem acesso a serviços fixos de comunicações. Segundo os dados da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) avançados pelo ECO, este grupo representa menos de 1% dos acessos inicialmente afetados pelos eventos meteorológicos extremos do início do ano.
A 24 de abril, o número de utilizadores nesta situação rondava os 20 mil. A previsão da entidade reguladora aponta agora para a recuperação de grande parte destas ligações nas próximas duas semanas. O período prolongado de indisponibilidade gerou um volume considerável de queixas, com a Anacom a contabilizar cerca de 2.200 reclamações escritas até ao dia 15 deste mês — um salto expressivo face às 1.200 registadas no passado mês de abril. As principais queixas focam-se na demora das reparações, na reincidência de falhas, nas dificuldades de contacto com os operadores e na faturação indevida durante os cortes. A entidade assegura ter tratado de 99% destas solicitações diretamente recebidas.
Prioridades na reparação e obstáculos no terreno
Questionada sobre a abertura de procedimentos de contraordenação às operadoras, a presidente da Anacom, Sandra Maximiano, esclareceu que as equipas mobilizaram de imediato os meios técnicos e humanos necessários para as zonas afetadas. A severidade dos danos ditou uma priorização estrita dos trabalhos: primeiro foi reposto o backbone das redes, seguido da rede móvel e, por fim, a rede fixa.
A demora acentuada na componente fixa resulta da necessidade de reconstruir a infraestrutura casa a casa. Existem ainda postes por substituir e quilómetros de cabos danificados no solo. Os operadores relatam também um obstáculo logístico inesperado: vários cabos recém-reparados estão a ser novamente cortados durante os trabalhos de limpeza de terrenos executados por terceiros, motivando apelos para que se evite manipular estas áreas até ao fim das operações.
Novas propostas para reforçar a infraestrutura
Para melhorar a capacidade de resposta futura em Portugal, a Anacom submeteu várias propostas legislativas ao Governo. As sugestões envolvem a simplificação da coordenação nas intervenções de reparação, mecanismos temporários de roaming nacional em caso de catástrofe, e a atribuição de prioridade aos clientes de telecomunicações na reposição de energia elétrica. Adicionalmente, já foi publicado um diploma para agilizar administrativa e financeiramente a reconstrução nos concelhos afetados.
Embora não seja possível garantir inequivocamente que o sistema nacional está hoje mais resiliente do que a 28 de janeiro, a entidade sublinha que existe agora um conhecimento muito superior das vulnerabilidades críticas. A dependência do fornecimento elétrico e a extrema fragilidade dos traçados aéreos ficaram evidentes, impulsionando os operadores a direcionar novos investimentos para erguer redes capazes de suportar fenómenos extremos com maior eficácia.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!