
A Amazon solicitou formalmente autorização à Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC) para lançar uma nova constelação com até 5105 satélites em órbita baixa terrestre. Conforme revelou o portal Advanced Television, a iniciativa visa expandir a infraestrutura da rede Amazon Leo, focando-se no fornecimento de comunicações diretas para dispositivos (D2D).
O plano estratégico da gigante tecnológica apoia-se fortemente na integração com a Globalstar, empresa adquirida pela Amazon em abril por 11,57 mil milhões de dólares (cerca de 10,65 mil milhões de euros). O negócio aguarda a validação das entidades reguladoras e a conclusão da transação está prevista para 2027. Esta movimentação surge num momento em que a concorrência no sector espacial aquece, com a SpaceX a avançar com a sua própria solução, após ter estreado satélites Starlink V3 no espaço recentemente.
Conectividade alargada sem antenas convencionais
O grande objetivo da Amazon Leo passa por assegurar conectividade móvel a utilizadores situados em zonas remotas ou desprovidas de cobertura terrestre tradicional. A tecnologia foi desenhada para comunicar diretamente com smartphones comuns e equipamentos de Internet das Coisas (IoT), eliminando a necessidade de antenas parabólicas ou recetores proprietários no solo.
De acordo com as especificações técnicas submetidas à FCC, a rede vai disponibilizar serviços de dados móveis, mensagens de texto, chamadas de emergência e conectividade para automóveis. Para viabilizar o ecossistema, a empresa operará sobretudo nas frequências de 1,6 GHz e 2,4 GHz, recorrendo ao espectro licenciado da Globalstar. As ligações com as estações de terra (gateways), telemetria e controlo serão geridas nas bandas Ka e V, estando ainda prevista a expansão para frequências adicionais de 1,5 GHz e 1,6 GHz fora do território norte-americano.
Ciclo de vida operacional e sustentabilidade orbital
Embora a multinacional detenha direitos de posições orbitais para mais de 11 000 unidades espaciais, o novo plano fixa o limite máximo da constelação adicional em 5105 satélites. Estes engenhos vão operar distribuídos por cinco altitudes distintas — a 510 km, 540 km, 560 km, 570 km e 580 km — com inclinações orbitais que variam entre os 56 e os 84 graus.
Os satélites terão uma vida útil estimada entre seis e oito anos. O processo de colocação em órbita prevê um lançamento inicial numa zona estacionária a 440 km de altitude, a partir da qual os veículos utilizam a propulsão de bordo para alcançar a posição final. A pensar na sustentabilidade do espaço e na prevenção de detritos orbitais, a Amazon detalhou que, ao término da atividade, os equipamentos vão descer de forma controlada até aos 360 km. A partir daí, a reentrada na atmosfera ocorrerá naturalmente num prazo máximo de dois meses. A comissão reguladora norte-americana não estabeleceu uma data limite para emitir o veredicto final sobre o pedido.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!