
A infraestrutura de internet por satélite liderada por Elon Musk está a passar por uma fase intensiva de renovação. De acordo com os dados submetidos à Comissão Federal de Comunicações, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, foram retirados de órbita 260 equipamentos que acabaram por arder de forma programada na nossa atmosfera. Adicionalmente, quase 350 unidades encontram-se desativadas e aguardam um fim semelhante nos próximos meses.
O ciclo de vida e a evolução para os telemóveis
Para garantir as velocidades e a baixa latência que os consumidores portugueses e europeus exigem atualmente, a SpaceX definiu um tempo de vida útil na ordem dos cinco anos para cada unidade. Quando o equipamento atinge este limite, o combustível restante é utilizado para baixar a altitude gradualmente até à desintegração total. Recuperar estas máquinas de volta à superfície terrestre não é viável do ponto de vista técnico ou financeiro, especialmente porque os blocos da primeira geração pesavam perto de 300 quilogramas, enquanto as versões mais recentes superam a tonelada.
O sacrifício deste hardware mais antigo abre espaço para tecnologia avançada. A rede Starlink prepara-se para suportar ligações diretas a smartphones através do seu serviço móvel. Em paralelo, a empresa tem em desenvolvimento o modelo A1, desenhado para computação em órbita com 120 kW de capacidade, suportado por uma megafábrica de um milhão de metros quadrados focada apenas neste fabrico.
O impacto ambiental de uma constelação gigante
O objetivo final da operação espacial passa por manter cerca de 42 mil satélites ativos em órbita terrestre baixa. Apenas em janeiro deste ano, a autoridade norte-americana deu luz verde para a colocação de mais 7500 unidades de segunda geração. No entanto, o volume de metais e componentes a reentrar de forma contínua na atmosfera começou a levantar alertas na comunidade científica.
Ainda não existe um consenso definitivo, mas os investigadores temem que a acumulação de partículas libertadas durante a combustão de milhares de satélites possa alterar a composição atmosférica a longo prazo. No campo regulatório, discute-se atualmente a possibilidade de isentar algumas destas manobras espaciais das avaliações ambientais rigorosas da diretiva NEPA, utilizando o argumento de que as queimas ocorrem fora da jurisdição territorial dos Estados Unidos. A medida permanece em fase de avaliação, mantendo em aberto o debate sobre a sustentabilidade a longo prazo destas mega constelações.












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