
Num movimento raro para a indústria dos semicondutores, a gigante norte-americana decidiu partilhar os segredos da sua linha de processadores. Segundo avançou a Reuters, a Intel cedeu o código RTL da tecnologia Atom a uma empresa emergente designada RosaicLabs. Fundada em maio de 2026, esta startup opera ainda num secretismo absoluto, sem presença na internet ou perfis corporativos públicos, mas já detém a base necessária para desenvolver chips x86 personalizados.
O valor do código RTL e a arquitetura Atom
A cedência do código de nível de transferência de registos (RTL) ultrapassa um simples licenciamento de marca ou a venda de chips finalizados. Este material descreve o funcionamento lógico do processador antes da sua síntese e passagem a circuito físico, entregando à RosaicLabs uma estrutura funcional para construir um componente adaptado às suas exigências exatas.
Historicamente, a tecnologia Atom destacou-se pela conceção de processadores de baixo consumo energético e reduzida geração de calor. Estas características garantiram a sua integração em computadores portáteis, Mini-PCs, sistemas industriais, armazenamento e equipamentos de rede, servindo produtos onde a eficiência se sobrepõe ao desempenho absoluto. Desconhece-se qual a geração exata do Atom incluída neste acordo, nomeadamente se abrange núcleos mais antigos como o Tremont, ou que tipo de processador a startup pretende desenhar.

Estratégia de veteranos contra a concorrência
A RosaicLabs junta nomes de peso do mercado e é dirigida por Amarjit Gill. Este executivo colaborou com Lip-Bu Tan, atual diretor executivo da Intel, na criação da Rivos. A empresa focada na arquitetura RISC-V acabou nas mãos da Meta, que superou uma oferta de compra apresentada pela própria Intel. A mesma dupla de investidores participou no financiamento inicial da Nuvia, empresa fundada por antigos engenheiros da Apple e posteriormente adquirida pela Qualcomm para equipar os seus processadores mais recentes. A equipa atual da RosaicLabs conta ainda com antigos membros da Rivos, como Amit Parikh, que ocupou o cargo de responsável financeiro.
Registos entregues no estado do Delaware indicam que a startup procura uma ronda inicial de financiamento na ordem dos 9,2 milhões de euros. Os seus executivos mantêm a capacidade de autorizar investimentos inferiores a 4,6 milhões de euros sem aprovação prévia do conselho de administração ou de investidores. A Intel recusou comentar a operação publicamente, mas a manobra revela uma estratégia clara: rentabilizar tecnologias x86 consolidadas para disputar mercados integrados de baixo consumo onde a Arm e a RISC-V têm ganho terreno, delegando essa tarefa de desenvolvimento a terceiros. Para o setor tecnológico europeu, o fortalecimento desta arquitetura resulta numa diversificação na base dos equipamentos informáticos industriais e portáteis.












Nenhum comentário
Seja o primeiro!