
Um boato recente sugeriu que o sistema operativo de código aberto ultrapassou a marca de 10% de participação no mercado da América do Norte, o que indicaria uma perda repentina de milhões de utilizadores por parte da Microsoft. A realidade, segundo avançou o Windows Latest, aponta para um fenómeno diferente, onde o salto nos números de adoção é causado pela proliferação de robôs de inteligência artificial.
Muitas publicações partilharam a informação com base na plataforma StatCounter, utilizada para monitorizar o tráfego web. O método de medição desta ferramenta não rastreia utilizadores individuais ou computadores reais. A empresa esclareceu que os seus dados assentam em mais de 3 mil milhões de visualizações de página mensais, recolhidas em mais de 1 milhão de sites globais, o que reflete a atividade de acesso e não o número de visitantes únicos.
Quando robôs desenvolvidos sobre Linux visitam páginas de forma massiva, a métrica do sistema operativo sobe automaticamente. Como o limite da escala é de 100%, o aumento artificial de uma plataforma provoca a queda da fatia atribuída ao Windows, sem que tenha existido qualquer migração real nos computadores domésticos.

Inconsistências históricas nos relatórios
A análise dos dados do StatCounter expõe anomalias anteriores. O relatório mais recente atribui uma quota de 21,14% ao sistema OS X e 8,6% ao macOS, apesar de a Apple ter oficializado a mudança de nome em 2016. A versão que deixou de ser atualizada há 10 anos regista, na plataforma, mais acessos do que a iteração atual.
Em julho de 2026, a ferramenta corrigiu a sua base de dados após reportar uma queda de 20 pontos percentuais do sistema da Microsoft para a plataforma de código aberto. O histórico da medição também já apontou subidas do Windows 7 associadas a quebras do Windows 11, gerando narrativas sobre falhas de adoção. O problema estende-se a outros mercados, como a pesquisa, onde a plataforma simulou uma perda de 10 pontos da Google para o ChatGPT, originando anúncios precipitados sobre o fim do motor de busca.
A contagem oficial da Microsoft apresenta um cenário oposto. O Windows 11 opera atualmente em 1,6 mil milhões de máquinas, um valor que já ultrapassa a marca de 1,3 mil milhões de computadores com Windows 10 registada em 2021.
O impacto prático do tráfego automatizado
O Cloudflare Radar, que analisa o tráfego com base em dados de DNS e segurança, registou um salto do sistema de código aberto para 16% e uma descida da Microsoft para 55%. A verdadeira métrica de consumo surge ao aplicar o filtro que isola a navegação humana dos acessos automatizados.
Ao contabilizar apenas utilizadores humanos na América do Norte durante os últimos três meses, o cenário normaliza: o tráfego real coloca o sistema de código aberto com 4,7% de participação, a Microsoft com 65% e o macOS nos 28%. Com a reintegração dos robôs na análise, a média de acessos automatizados salta para os 16%, atingindo picos diários de 26%.
Para o consumidor comum em Portugal e no mundo, a adoção de uma alternativa de código aberto num computador de secretária exige instalação manual, uma vez que o mercado de retalho fornece quase exclusivamente máquinas pré-configuradas. A guerra estatística atual revela a evolução da infraestrutura da internet e o peso da automação corporativa, não uma mudança nos hábitos dos utilizadores domésticos.












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