
A empresa responsável pelo ChatGPT está a tentar eliminar entraves no dia a dia dos seus trabalhadores. Segundo reportado pela Fortune, a tecnológica ativou o endereço "friction@openai.com", um canal direto que permite a qualquer funcionário reportar processos ineficientes, falhas em infraestruturas e problemas de sistemas à liderança da empresa. Nos casos considerados mais relevantes, as queixas chegam de forma imediata à secretária do CEO, Sam Altman, ou do presidente, Greg Brockman.
O combate aos pequenos atritos diários
A implementação deste mecanismo ganhou força no final de 2025, impulsionada por Fidji Simo, na altura CEO de Aplicações da OpenAI. Após passar os primeiros três meses a ouvir os funcionários para identificar os principais obstáculos ao trabalho, Simo estabeleceu processos rigorosos para acompanhar e gerir os relatos. Atualmente, a monitorização desta caixa de entrada está a cargo de Irina Kofman, vice-presidente de iniciativas estratégicas e operações.
O objetivo central é mitigar os pequenos incómodos antes que se transformem em burocracia institucionalizada. De acordo com Fidji Simo — que abandonou a empresa no início de julho para se dedicar à sua saúde e a uma startup do setor médico —, as organizações acumulam atritos de forma gradual, em que cada aprovação extra ou reunião desnecessária torna o trabalho 1% ou 2% mais difícil.
As queixas já resultaram em mudanças práticas. Os relatos originaram a reestruturação na distribuição de créditos de API para garantir maior fiabilidade e escalabilidade, bem como a criação de um projeto-piloto focado em reservar lugares de estacionamento para funcionários com trajetos mais longos até ao escritório. A evolução das soluções é partilhada mensalmente com as equipas através da plataforma Slack.
Crescimento acelerado e o reverso da medalha
A prática partilha semelhanças com a famosa estratégia de Jeff Bezos na Amazon, onde o fundador encaminhava queixas de clientes para as equipas com um simples ponto de interrogação a sinalizar alerta máximo. No entanto, a aplicação deste modelo a problemas internos gera opiniões muito divergentes entre os colaboradores da OpenAI.
Para alguns ex-funcionários, o canal é uma ferramenta extremamente eficaz que dá a qualquer pessoa o poder de escalar frustrações diretamente à liderança. Para outros, o efeito prático acaba por comprometer o próprio fluxo de trabalho. Um antigo líder de equipa relatou que a receção frequente de dezenas de denúncias através desta via criava novas ineficiências, forçando equipas com falta de recursos e excesso de responsabilidades a interromperem as suas tarefas para resolver obstáculos que os autores das queixas consideravam prioridade absoluta.
Este mecanismo reflete os desafios de uma organização em ritmo de hipercrescimento, que lida com uma cultura corporativa marcada pela alta pressão e por longas jornadas laborais. Com a perspetiva de superar os 8 mil funcionários até ao final de 2026, a gigante da inteligência artificial debate-se com a necessidade de equilibrar a agilidade de uma startup com as fundações burocráticas exigidas por uma empresa à escala global.







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