1. TugaTech » Internet e Redes » Noticias da Internet e Mercados
  Login     Registar    |                      

Siga-nos


Assembleia da Republica

A era digital no Palácio de Belém acaba de ganhar um novo filtro de segurança incontornável. Segundo avançou a SIC Notícias, o Presidente da República, António José Seguro, instaurou uma regra rigorosa que proíbe a entrada de telemóveis nas audiências presenciais. O objetivo central é mitigar os riscos associados à espionagem e evitar a fuga de informações sensíveis do Estado, numa altura em que as ferramentas de vigilância móvel estão mais acessíveis do que nunca.

A medida aplica-se a todos os visitantes que cruzem a porta da Sala das Bicas, sem exceções de cargo ou protocolo. Desde o primeiro-ministro Luís Montenegro até chefes de Estado estrangeiros, passando por líderes partidários e parceiros da concertação social, todos são convidados a depositar os seus equipamentos num cacifo de acrílico. Com a escalada de incidentes informáticos em Portugal, a Presidência da República justificou a decisão apontando para a frequência e a sofisticação crescentes destas ameaças cibernéticas, assumindo que qualquer interveniente pode ser um vetor de ataque.

Tolerância zero e o regresso ao papel

A aplicação da diretriz é tão inflexível que até o antecessor de Seguro no cargo não teve direito a tratamento especial. Durante a sua visita ao antigo gabinete, Marcelo Rebelo de Sousa também teve de deixar o seu smartphone no cacifo. A regra estende-se ainda aos colaboradores diretos do atual Presidente e ao próprio telemóvel do chefe de Estado, que permanece no exterior sob a supervisão da chefe da Casa Civil e da ajudante de campo, garantindo o contacto estritamente em caso de emergência.

A ausência dos dispositivos móveis está a alterar a dinâmica prática das reuniões governamentais. Os intervenientes veem-se agora obrigados a adotar táticas mais tradicionais, como o transporte de dossiês em papel, para garantir o apoio documental e a consulta de dados debaixo do olhar de Belém.

Uma prática com histórico internacional

Embora o confisco de telemóveis seja uma novidade absoluta no formato diário das audiências da Presidência, os receios em torno da segurança da informação já remontam a 2009, no mandato de Cavaco Silva — o primeiro a manifestar preocupações com o tema, e que recentemente almoçou com António José Seguro num ambiente totalmente blindado a dispositivos eletrónicos. No passado, restrições semelhantes em Portugal aconteciam apenas nas reuniões do Conselho de Estado, através do bloqueio total das redes móveis na sala.

No panorama diplomático global, deixar o telemóvel à porta é uma norma bem estabelecida. O protocolo de segurança já é exigido em embaixadas de topo e governos como os dos Estados Unidos e da China, bem como na Chancelaria alemã, desde os mandatos de Angela Merkel. Cimeiras da NATO e negociações de alto nível sobre a Ucrânia adotam idêntico rigor de isolamento tático.

O impacto real destas medidas não é puramente teórico. Ficou célebre o episódio ocorrido com o ex-primeiro-ministro António Costa, que se encontrava incontactável, sem telemóvel, durante uma cimeira da NATO em Madrid. Nessa mesma noite, a falta de comunicação isolou a liderança enquanto em Lisboa uma controversa decisão governamental sobre o novo aeroporto quase derrubava o então ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Foto do Autor

Aficionado por tecnologia desde o tempo dos sistemas a preto e branco

Ver perfil do usuário Enviar uma mensagem privada Enviar um email Facebook do autor Twitter do autor Skype do autor

conectado
Encontrou algum erro neste artigo?



Aplicações do TugaTechAplicações TugaTechDiscord do TugaTechDiscord do TugaTechRSS TugaTechRSS do TugaTechSpeedtest TugaTechSpeedtest TugatechHost TugaTechHost TugaTech