
A inteligência artificial já faz parte da rotina de 89% das organizações a nível global. No entanto, enquanto 80% dos colaboradores sentem um aumento direto na sua produtividade, o retorno para os cofres das empresas teima em não acompanhar esse ritmo. De acordo com o novo relatório da McKinsey & Company, apenas 37% das entidades registaram um impacto positivo nos seus resultados financeiros operacionais (EBIT), um valor que se mantém inalterado face ao ano passado.
A análise destaca que a implementação da IA não se traduz automaticamente em rentabilidade caso o modelo de negócio não seja restruturado a fundo, criando uma linha de separação visível entre quem adota a tecnologia e quem a rentabiliza de facto.
Aposta no desenvolvimento interno e orçamentos em alta
Uma das tendências mais marcantes do estudo recai sobre a alteração nas decisões tecnológicas. Em vez de dependerem exclusivamente do mercado externo, 32% das organizações inquiridas abdicaram de comprar pelo menos uma solução de software comercial, optando por desenvolver produtos ou funcionalidades internamente através de agentes de programação. Estes agentes autónomos já marcam presença em 31% das grandes corporações, com especial incidência em áreas como a saúde, a energia e os serviços profissionais.
O custo associado ao processamento de dados e tokens contínua a ser um travão para 20% das empresas. Ainda assim, a confiança no setor permanece sólida, com 60% das organizações a preverem um aumento do investimento tecnológico nos próximos doze meses. Simultaneamente, a aplicação desta tecnologia em larga escala subiu de 38% em 2025 para 44% em 2026.
O desafio do retorno corporativo
O contraste entre a experiência do trabalhador e o balanço financeiro reflete-se na pressão organizacional. Cerca de 47% dos quadros intermédios e colaboradores relatam efeitos negativos ou pressão laboral ligados a esta transição tecnológica, face aos 31% observados na alta direção. Quanto ao impacto laboral futuro, 39% das empresas preveem reduções de pessoal no próximo ano. Contudo, os dados sugerem que as projeções tendem a ser mais drásticas do que a realidade: no ano anterior, 32% das entidades antecipavam cortes, mas apenas 14% avançaram com as reduções, enquanto 66% mantiveram o número de colaboradores estável.
O verdadeiro benefício financeiro está neste momento circunscrito a um grupo de alto desempenho, que representa cerca de 6% das empresas estudadas. A grande diferença destas organizações reside no facto de 74% terem transformado integralmente os seus processos de trabalho. Rita Calvão, sócia associada da McKinsey, sublinha que o sucesso destas operações não difere de outras grandes mudanças corporativas, exigindo "alinhamento estratégico, suporte executivo e pragmático, obsessão por impacto mensurável" e, sobretudo, um investimento real nas pessoas que assumem a transformação no dia a dia.







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