
A explosão da inteligência artificial está a expor fragilidades estruturais nas fundações tecnológicas do tecido empresarial. Segundo um novo relatório partilhado pela NTT DATA, apenas 14% das organizações a nível global atingiram o nível mais elevado de maturidade na nuvem, um cenário que ameaça sufocar o verdadeiro potencial tecnológico da indústria.
O estudo, que envolveu mais de 2.300 decisores seniores em 33 países, aponta para um claro desalinhamento entre a ambição corporativa e a realidade da execução. Embora 99% das organizações confirmem que a IA aumenta de forma direta a necessidade de investir em infraestruturas, 88% admitem que os níveis atuais de financiamento estão a colocar em risco as iniciativas de modernização e os processos nativos.
O impacto do legado e a perspetiva portuguesa
A transição para modelos operacionais mais avançados continua a esbarrar em obstáculos do passado. O consenso generalizado indica que a dependência de plataformas de dados e aplicações antigas está a atrasar a inovação de forma severa. Como resultado, menos de metade das empresas inquiridas sente satisfação com o progresso da sua modernização.
Pedro Cruz, Partner & Head of Infrastructure Services da NTT DATA Portugal, clarifica o cenário para o mercado nacional. "Este estudo confirma um ponto crítico: não é a ambição em torno da IA que está a falhar, mas sim a capacidade de execução sustentada pela cloud", explicou. O especialista sublinha que a vantagem competitiva pertence às empresas que tratam as suas infraestruturas como plataformas estratégicas para gerar valor de negócio, simplificando ativamente as arquiteturas.
Seis passos para o alinhamento tecnológico
Para inverter este paradigma, o relatório traça um caminho focado em seis regras de adaptação. As organizações líderes já desenvolvem as suas estratégias de inteligência artificial em conjunto com o ecossistema digital, resolvendo de imediato as lacunas de competências que afetam o mercado. Em paralelo, preparam-se para uma alteração profunda nas arquiteturas, estimando-se que a adoção de ambientes soberanos cresça 50% nos próximos dois anos.
O foco na modernização consolida-se como a grande prioridade a curto prazo, acompanhada por uma transição para serviços totalmente geridos que ajudem a mitigar os crescentes desafios na gestão de custos. O sucesso das migrações passa também a ser medido por resultados de negócio em vez de métricas puramente técnicas, com 47% das empresas evoluídas a aplicarem inteligência artificial nos seus processos de migração, em contraste com os 35% do resto do mercado.
Por fim, a segurança regressa aos fundamentos num mundo de ecossistemas complexos. Com a confiança na proteção de dados a mostrar-se desigual — 68% dos líderes sentem-se muito confiantes contra 36% dos restantes —, a clarificação de funções e a realização de auditorias regulares assumem um papel vital para proteger os investimentos.







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