
A corrida ao ouro da Inteligência Artificial continua a dominar as manchetes e as estratégias empresariais, mas os resultados financeiros práticos parecem estar a demorar mais do que o esperado. Embora o investimento seja massivo, a maioria das organizações ainda não viu um retorno tangível nas suas contas, segundo os dados revelados pela PwC no seu 29.º Global CEO Survey.
O fosso entre o investimento e o retorno
O inquérito, que consultou 4.454 presidentes executivos em 95 países, traça um cenário de cautela por trás do entusiasmo tecnológico. O dado mais impactante revela que 56% dos líderes empresariais reportam não ter registado nem um aumento de receitas, nem uma redução de custos atribuível à IA nos últimos 12 meses.
Quando analisados os dados positivos, apenas cerca de 30% dos CEOs afirmaram que as suas empresas viram um aumento nas receitas graças a esta tecnologia no último ano. No que toca à eficiência, 26% reportaram uma diminuição de custos, enquanto 22% indicaram, pelo contrário, que os custos aumentaram. Para este estudo, a consultora definiu "aumento" e "diminuição" como variações iguais ou superiores a 2%.
Existe, no entanto, um grupo de elite que a consultora denomina de "vanguarda". Apenas 12% das empresas conseguiram atingir o "santo graal" da implementação tecnológica: obter simultaneamente ganhos de receita e reduções de custos. Este grupo distingue-se por ter bases tecnológicas mais sólidas, roteiros definidos e ambientes preparados para uma integração profunda, em oposição a projetos isolados.
Adoção no marketing e confiança em queda
O relatório debruça-se também sobre áreas específicas, como o marketing, onde os números sugerem uma adoção ainda numa fase inicial. Apenas 22% dos CEOs afirmaram que as suas organizações aplicam esta tecnologia na geração de procura em grande escala. Este dado alinha-se com um padrão observado no mercado: embora a experimentação seja alta, a implementação estrutural é complexa.
O documento corrobora tendências identificadas por outras entidades. Um relatório do LinkedIn, por exemplo, já havia notado que muitos profissionais de marketing B2B se sentiam sobrecarregados pelo ritmo de mudança da tecnologia.
Paralelamente à questão tecnológica, o estudo aponta para um declínio na confiança geral dos líderes. Apenas 30% dos inquiridos manifestaram estar muito ou extremamente confiantes no crescimento das receitas para os próximos 12 meses, uma queda significativa face aos 38% do ano anterior e longe do pico de 56% registado em 2022.
A conclusão dos analistas é direta: projetos táticos e isolados raramente entregam valor mensurável. Para que o investimento compense, as empresas precisam de focar-se na construção de fundações sólidas e em processos formalizados, antes de esperarem ver os números a mudar nos relatórios financeiros.












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