
Uma mulher do estado do Texas, nos Estados Unidos, avançou com um processo judicial contra a Tesla exigindo uma indemnização superior a um milhão de dólares (cerca de 915 mil euros). A ação surge após o seu Cybertruck, que circulava com o sistema de condução autónoma ativado, ter tentado sair de um viaduto em Houston e colidido contra uma barreira de betão. A informação foi avançada pelo Electrek, que teve acesso aos documentos do tribunal, e revela uma acusação invulgar: a fabricante automóvel foi negligente ao manter Elon Musk no cargo de diretor executivo.
O acidente e as acusações contra a direção
Justine Saint Amour adquiriu o veículo usado com o pacote de condução autónoma total em fevereiro de 2025. Em agosto do mesmo ano, enquanto circulava numa autoestrada, o sistema devia ter acompanhado a curva do viaduto, mas tentou seguir em frente. A condutora ainda tentou desligar a assistência e assumir o controlo do volante, mas não conseguiu evitar o forte embate contra o limite da estrada.
O processo não se fica pelas habituais queixas de defeito de fabrico. A petição descreve o líder da empresa como um vendedor agressivo e irresponsável que toma decisões de design perigosas. O documento alega que o executivo ignorou ativamente as recomendações dos próprios engenheiros da marca, que sugeriram a inclusão de sensores radar e LiDAR para melhorar a segurança do sistema, tal como fazem concorrentes como a Waymo. A recusa destas tecnologias em favor de um sistema baseado exclusivamente em câmaras é apontada como uma falha grave na estratégia de condução da fabricante.
Marketing enganoso e problemas com a condução autónoma
Além da negligência associada à liderança, o documento acusa a empresa de promover os seus sistemas com publicidade enganosa. O modo comercializado como condução autónoma total opera, na verdade, num nível dois de automação, exigindo a supervisão constante do condutor humano. A acusação destaca que marcas rivais, como a Mercedes-Benz, já oferecem sistemas de nível três certificados.
A queixa menciona também o uso de acordos de confidencialidade para impedir os utilizadores de partilharem informações sobre o desempenho tecnológico dos veículos, uma prática que já gerou alertas por parte das autoridades de segurança rodoviária norte-americanas, visto que prejudica as investigações a acidentes.
Este caso agrava o cenário jurídico da fabricante, que se encontra sob investigação das autoridades devido a dezenas de incidentes ligados ao sistema de assistência à condução. O processo surge ainda poucas semanas após um juiz federal ter mantido uma condenação histórica de 243 milhões de dólares num caso separado a envolver a mesma tecnologia da marca.












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