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Duas semanas após ter sido processada pela procuradora-geral de Nova Iorque, Letitia James, a Valve respondeu oficialmente às acusações de promover jogos de azar ilegais através dos seus videojogos. Num documento de defesa publicado pela empresa no seu site oficial, a dona da plataforma Steam deixou a mensagem clara de que prefere debater o assunto em tribunal a aceitar os termos propostos pelas autoridades estatais.

A defesa das caixas de recompensas e o mercado digital

A ação judicial do estado de Nova Iorque procura travar a promoção daquilo que considera ser uma prática de apostas, apontando o dedo às loot boxes presentes em títulos populares como Counter-Strike 2, Team Fortress 2 e Dota 2. A procuradora-geral classificou estas mecânicas como sendo prejudiciais e viciantes para os jogadores.

Na sua resposta, a empresa optou por fazer uma analogia entre as suas caixas de recompensas virtuais e a tradicional compra de pacotes físicos de cartas colecionáveis, como as do Pokémon ou de basebol. A argumentação sublinha que a abertura destas caixas não é obrigatória para jogar e que as recompensas são estritamente cosméticas, o que significa que os jogadores que decidem não gastar dinheiro não são prejudicados na jogabilidade.

O grande ponto de discórdia foca-se no mercado secundário. Letitia James alertou para o facto de os utilizadores poderem trocar ou vender estes itens no mercado comunitário ou em plataformas externas de terceiros, com as peças mais raras a atingir valores bastante lucrativos. Face a isto, a entidade defende que a capacidade de transacionar um item digital é um direito do consumidor que se deve manter intacto, recusando-se a remover essa funcionalidade dos seus sistemas.

Exigências polémicas de dados e o caminho para tribunal

Para lá da defesa do formato das loot boxes – um tema que também já motivou uma ação coletiva separada contra a marca –, a resposta revela o impacto prático das exigências legais. A criadora de videojogos acusa a procuradoria de propor medidas que obrigariam à recolha de informações pessoais adicionais dos utilizadores. O objetivo destas exigências passaria por implementar uma nova camada de verificação de idade e criar formas de bloquear a utilização de redes VPN, passos que têm levantado grandes alertas junto de especialistas em privacidade online.

A empresa rejeitou também os comentários da procuradora-geral que associavam a cultura dos videojogos à violência no mundo real, apelidando a afirmação de desatualizada e contrária a inúmeros estudos que demonstram os impactos positivos deste formato de entretenimento.

Na conclusão do seu esclarecimento, a empresa admitiu que a via mais económica seria simplesmente chegar a um acordo para encerrar o processo. No entanto, as exigências do estado de Nova Iorque foram consideradas hostis para os utilizadores, justificando assim a decisão de levar o caso perante um juiz para uma decisão final.

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