
O avanço acelerado da inteligência artificial gera receios globais sobre o futuro do mercado de trabalho, mas Mustafa Suleyman, chefe de IA da Microsoft, apresenta uma visão mais contida. Segundo o responsável, a tecnologia deverá automatizar tarefas em vez de eliminar posições, estimando que apenas 5% do trabalho humano nos Estados Unidos seja substituído de forma total até 2036.
A projeção foi avançada pelo Windows Latest, num momento em que a indústria tecnológica e setores como os videojogos ou o apoio ao cliente enfrentam vagas de despedimentos. Gigantes como a Amazon, a Google, a Meta e a Microsoft investem centenas de milhares de milhões no desenvolvimento de modelos avançados e robótica, levantando dúvidas sobre o ritmo a que as máquinas começarão a executar funções físicas e digitais de forma autónoma.
Automatização de tarefas face à perda de empregos
Suleyman prevê que a maioria das tarefas de escritório típicas será automatizada num prazo de 12 a 18 meses. O especialista faz, no entanto, a distinção entre a automação de uma tarefa específica e a eliminação de um posto de trabalho inteiro. Na sua perspetiva, a implementação ideal desta tecnologia servirá para acelerar a produtividade, mantendo os profissionais humanos na equação.
Esta previsão otimista não reúne consenso entre os especialistas. Daron Acemoglu, professor de economia do MIT, indicou recentemente que a IA poderá automatizar 20% do trabalho nos EUA, prevendo que um quarto dessa transição ocorra durante a próxima década. Apesar dos avanços rápidos, Acemoglu concorda que a automação exigirá intervenção humana para supervisão em áreas onde a tecnologia ainda não tem domínio absoluto.
Diferentes previsões na indústria
Dados do projeto ATLAS da Google mostram que a inteligência artificial já é aplicada em 21% das tarefas de um emprego comum, embora as automações totais representem atualmente menos de 10%.
No extremo oposto das previsões, Dario Amodei, CEO da Anthropic, alertou que a tecnologia tem potencial para transformar até 50% dos trabalhos administrativos de nível inicial nos próximos cinco anos. O impacto final no emprego dependerá fortemente da abordagem corporativa: as empresas terão de decidir se usam a IA para libertar os funcionários de processos repetitivos ou se optam por reduzir as equipas, deixando apenas alguns trabalhadores responsáveis pela revisão e correção dos sistemas.







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